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Galinhas no quintal: ovos caipiras em casa
Criar galinhas no quintal garante ovos caipiras mais nutritivos, adubo para a horta e lições para as crianças. Veja como começar e como usar os ovos.

Criar galinhas no quintal foi o primeiro passo de um sonho antigo de Jen Allbritton, colunista da revista da Weston A. Price Foundation: virar uma pequena produtora rural, trabalhar a terra e aproveitar o fruto do próprio trabalho, em vez de, como ela mesma diz, viver do esforço dos outros. Ao mesmo tempo, enquanto curtia o novo estilo de vida à moda da série Os Pioneiros, ela ainda queria todo o conforto da vida no subúrbio, pelo menos por enquanto.
Então, ela deu o primeiro passo. A família passou a ter cinco galinhas animadas, engraçadas e emplumadas, vivendo no quintal da casa, numa área semirrural. A autora diz a si mesma que fez isso pelas crianças, mas admite que tinha motivos bem mais egoístas.
Galinhas são hilárias e ótimos bichos de estimação. Levou um tempo, mas hoje a família consegue pegar as "meninas" no colo, e elas vêm correndo toda vez que os veem. Claro que elas esperam ganhar restos de comida, mas a autora prefere acreditar que é por adoração.
Para quem sente vontade de fazer algo no espírito da roça e tem um pedacinho de terra sobrando, ela conta como é criar essas aves: elas ajudam na horta, aproveitam cada resto de comida que passa pela cozinha e rendem horas de diversão para pais e filhos. E o mais importante: você nunca mais vai ficar sem ovos, e pode até ter o bastante para dar à família e aos amigos ou, melhor ainda, trocar por algo de que precise.
Este artigo é uma adaptação de uma coluna da série Growing Wise Kids, dedicada à alimentação das crianças.
Motivo 1: ovos caipiras são mais nutritivos
Sem dúvida, os ovos frescos de galinhas criadas no pasto, as nossas galinhas caipiras, são superiores em sabor e nutrição aos ovos de criação convencional vendidos no comércio. Os ovos são um alimento valorizado desde o início dos tempos: de galinha, de pata, de gansa, de tartaruga e de peixe.
As gemas são a fonte mais rica de dois carotenoides estrelas, a luteína e a zeaxantina. As gemas de um amarelo vivo não só são carregadas desses antioxidantes lipossolúveis, como os oferecem numa forma mais bem aproveitada pelo corpo do que a dos vegetais, do milho e da maioria dos suplementos.
Esses nutrientes têm fama de combater a degeneração macular e a catarata e de favorecer a saúde da visão. Mas, segundo a autora, a lista de benefícios é longa e inclui proteger a pele dos danos do sol e até reduzir o risco de câncer de cólon e de mama.
O que tem num ovo
- Proteína completa: os oito aminoácidos essenciais que constroem as proteínas. Um ovo grande, inteiro e fresco tem de 6 a 7 gramas de proteína.
- Gordura: cerca de 5 gramas (1,5 grama saturada), que ajudam a absorver todas as vitaminas lipossolúveis do próprio ovo.
- Colesterol: cerca de 200 miligramas por ovo, um nutriente que o cérebro adora.
- Vitaminas e minerais: vitaminas A, K, E, D e do complexo B, além de ferro, fósforo, potássio e cálcio.
- Colina: uma substância gordurosa presente em todas as células vivas e um dos principais componentes do cérebro.
Segundo a autora, a colina também ajuda a desfazer depósitos de colesterol, impedindo que a gordura e o colesterol grudem nas artérias. A conclusão: não tenha medo de comer ovos, principalmente as gemas, ricas em colesterol.
A cor da gema diz muito
Comparados aos ovos comuns de supermercado, os ovos de galinhas criadas no pasto têm gemas de um amarelo-alaranjado vivo, prova de uma reserva maior de carotenos, mais especificamente das xantofilas, o pigmento natural amarelo-alaranjado das plantas verdes e do milho amarelo. Quanto mais carotenos, mais escura e alaranjada a gema, e maiores também os níveis de vitaminas lipossolúveis.
As cores mais intensas aparecem na primavera, quando o capim está novo e os insetos são abundantes. A cor também desbota à medida que o ovo envelhece. E há variações conforme a raça e a idade das galinhas, a alimentação (capim, insetos e ração) e a estação do ano.
Galinha não é vegetariana
Quando seguem seus instintos de catadoras, as galinhas, que são onívoras, comem insetos, minhocas (e até cobras, se tiverem a chance), capim e ervas nutritivas, como as folhas de tanchagem e a urtiga murcha, que aumentam a postura e deixam a gema mais colorida. Elas comem os grãos e a ração do comedouro, mas esse não é o alimento ideal.
Lembre-se: galinhas são onívoras, e não vegetarianas, como muita gente pensa. Elas foram feitas para comer alimentos de origem animal e vegetal. Uma dieta estritamente vegetariana impede que elas alcancem a saúde ideal, porque as priva dos nutrientes que encontrariam ciscando pela fazenda, pelo terreiro e pelo pasto.
Comparados aos ovos de galinhas engaioladas, os ovos de galinhas soltas, que ciscam no pasto, têm mais ômega-3, vitamina E e vitamina A, além de quantidades bem maiores de ácido fólico e de vitamina B12. A luz direta do sol também funciona como um nutriente e aumenta naturalmente a postura. Então deixe as suas meninas ao ar livre o máximo possível!
Motivo 2: economia de dinheiro e de tempo
Ovos de galinhas criadas no pasto, do jeito certo, não são fáceis de achar. Ir atrás deles vale cada quilômetro, mas, depois de descobrir como é fácil tirá-los dos ninhos no próprio quintal, a autora não se imagina voltando aos velhos hábitos. Ela economiza combustível e o preço mais alto que pagava pela dúzia ao produtor e, quando troca ovos por outros produtos, chega a ganhar dinheiro para a família. Quem não tem quintal pode procurar ovos caipiras de verdade no mapa de produtores da Nu&Cru.
Outra dica: fazendo amizade com o responsável pelo setor de hortifrúti orgânico do mercado do bairro, dá para conseguir legumes velhos demais para a mesa, mas perfeitos para as galinhas.
As galinhas e a horta
As galinhas também são uma grande ajuda na horta. O esterco de galinha é rico em nitrogênio, ótimo para o solo, e a forração do galinheiro vira uma excelente cobertura morta (vale conhecer o método da cama sobreposta, o deep litter). Essa cama rica em nitrogênio deve se decompor e compostar por pelo menos um ano antes de ir para a horta.
Quando as galinhas podem bicar e ciscar na horta (depois que as mudas já estão firmes e depois da colheita), elas eliminam pragas, adubam o solo naturalmente e reviram tudo com as unhas.
Nada se perde
Com galinhas, nada vai para o lixo. Elas precisam de bastante cálcio, e uma forma de oferecê-lo é devolver a elas as cascas dos próprios ovos. Cada criador tem seu jeito: alguns jogam as cascas direto para elas depois de usar o ovo; outros secam as cascas ao sol ou no forno e as moem, para que não pareçam cascas de ovo. Um cuidado: se as galinhas se acostumarem a comer ovos, podem começar a comer os que botam, o que não seria nada bom para o estoque da família.
Fala-se até em usar casca de ovo em pó como fonte de cálcio para as pessoas. A autora ainda não chegou a tanto, mas joga uma ou duas cascas na fermentação do seu kefir de água, para enriquecer a bebida. A fundação explica essas bebidas no artigo Who Needs Soda Pop with These Bodacious Beverages, e a Nu&Cru, em Lactofermentação: o que é e como fazer.
As galinhas também têm apetite para os restos da cozinha. Que destino melhor para cascas de cenoura, talos de repolho, sobras de carne e de peixe e legumes passados da horta (melão, pepino, abobrinha) do que voltar para as suas refeições na forma de ovos de galinhas criadas no pasto? Algumas das gemas alaranjadas mais lindas vêm de galinhas "alimentadas com abobrinha". Atenção: cebola e alho podem deixar os ovos com um gosto meio "estranho".
Motivo 3: é divertido e relativamente fácil
A autora diz "relativamente" porque tudo é relativo. Para ela, a comodidade de ter ovos em casa compensa de longe o tempo que gastava dirigindo pelos quatro cantos do estado atrás dos melhores ovos, de galinhas criadas com os padrões mais altos. Ou, pior ainda, ficar sem ovos porque a procura estava alta ou a produção da fazenda leiteira da região estava baixa.
Há, sim, algum trabalho. Primeiro, é preciso montar a área cercada, o galinheiro e os comedouros e bebedouros. Depois, vem a rotina diária. As galinhas precisam de:
- água fresca;
- ar fresco;
- grit, as pedrinhas que ficam guardadas na moela e ajudam a triturar a comida;
- bastante comida: ração e restos da cozinha.
Conte com pelo menos duas visitas por dia. As galinhas precisam ser soltas de manhã e recolhidas à noite, para não virarem comida de predadores. E não se esqueça: o entardecer é a hora em que os predadores estão mais ativos. A autora conta que um despertador toca todo fim de tarde para lembrá-la de recolher as galinhas, porque é um horário corrido na casa dela.
Ver as galinhas se contorcendo de jeitos engraçados no banho de terra virou um dos passatempos favoritos da família. Além de divertidas de observar, de batizar e de perseguir, as galinhas fazem barulhos engraçados. A líder do bando solta um cacarejo maluco ("cóóó-có-có") toda vez que alguém se aproxima, como se anunciasse a visita.
No geral, as galinhas são bem silenciosas, uma boa notícia para quem tem vizinhos perto. Quem faz mais barulho é o galo, e ele não precisa fazer parte do bando, a não ser que você queira ovos galados para criar os seus próprios pintinhos.
Motivo 4: faz bem para as crianças
Abrir a casa e o coração para os animais, sejam cachorros, gatos ou galinhas poedeiras, cria oportunidades para lições de vida valiosíssimas. As crianças aprendem as responsabilidades diárias necessárias para manter esses bichos bem e desenvolvem respeito e compaixão pelas criaturas da natureza e pelo ciclo natural da vida. Os animais nos fazem parar e perceber que amar os outros incondicionalmente é fácil, e mais divertido quando se faz com energia.
Como resumiu Blair, amiga, editora e mãe de dois filhos citada pela autora: "Eu jamais criaria filhos sem criar algum tipo de animal junto com eles. Eles ensinam coisas que eu nunca conseguiria ensinar."
Como começar a criar galinhas no quintal
Há uma infinidade de materiais que ensinam, passo a passo, a receber as novas moradoras. Você terá muitas opções de galinheiro (com o cercado e o abrigo), de bebedouros e de comedouros. Em regiões muito frias, pode ser preciso isolar e aquecer o galinheiro. A autora mora nas montanhas nevadas do Colorado, e lá uma lâmpada de aquecimento resolve.
O tamanho do galinheiro depende de quantas galinhas atendem ao tamanho da sua família. O número de ovos varia conforme a época do ano, a raça, a idade das galinhas e a ração. As raças boas poedeiras botam em média de cinco a seis ovos por semana, mas a postura começa a cair depois do segundo ano de vida.
A ração das galinhas e o problema da soja
A quantidade de ração depende do que as galinhas encontram ciscando e dos restos de cozinha que recebem. Algum tipo de ração é especialmente útil no inverno.
As rações industriais em pellets das lojas agropecuárias estão longe de ser nutritivas e trazem muitos aditivos e ingredientes indesejáveis. A soja aparece com frequência, até nas rações de produtores orgânicos, mas, segundo a autora, deveria ser evitada. O motivo: a soja contém fitoestrógenos, os hormônios vegetais chamados isoflavonas, que, segundo a fundação, perturbam o sistema endócrino, prejudicam a imunidade, contribuem para problemas de tireoide e provocam alterações hormonais nas crianças. O tema é aprofundado no livro The Whole Soy Story, de Kaayla Daniel.
Pesquisas mostram que as isoflavonas da soja passam para a gema quando as galinhas recebem ração com alta concentração dessas substâncias. Ou seja, os ovos de galinhas alimentadas com soja entram na lista de alimentos com fitoestrógenos a evitar.
A soja é novidade na ração das galinhas: ninguém precisava dela para criar galinhas antigamente. O nó da questão é a proteína, necessária para aves saudáveis. Quanto maior o bando, maior a porcentagem de proteína que a ração precisa ter. Num pequeno sítio familiar, com 5 a 25 galinhas, a proteína deve vir do que elas ciscam, dos restos da cozinha e de um pouco de ração. Mas criar mais galinhas do que o terreno consegue sustentar naturalmente exige rações com mais proteína.
Katherine Czapp, colaboradora da fundação, lembra como eram criadas as galinhas no sítio da família:
"Quando eu era criança, tínhamos umas 18 galinhas (incluindo alguns galos), e elas só recebiam milho, espelta e aveia que nós mesmos plantávamos e moíamos, concha de ostra e todo tipo de petisco de origem animal que encontravam (como larvas de insetos no esterco das vacas e até, de vez em quando, uma placenta de bezerro!). Duas vezes por dia, na hora da ordenha, deixávamos bacias de leite morno para elas e para os nossos 18 gatos. Todo dia, meu avô pegava a foice e colhia as plantas que ele sabia que elas adoravam (descobri depois que a urtiga tem até 40% de proteína), e elas ainda ganhavam todo tipo de resto de duas cozinhas e de duas hortas muito grandes. Elas ciscavam por toda parte. Dezoito galinhas conseguiam suprir a necessidade de proteína com a escala e a variedade do nosso sítio. Se tivéssemos centenas de galinhas ou mais, como muitos produtores têm hoje, elas não conseguiriam o que precisavam na nossa escala."
Dicas de quem já cria
Uma amiga da autora, Vicki Hunnicut, pequena produtora em meio período, deu dicas valiosas quando a ajudou a montar o galinheiro. Ela criou uma receita de ração sem soja (veja abaixo) e, no inverno, completa a alimentação com alfafa orgânica para as galinhas ciscarem, de modo que tenham verdura o ano inteiro.
Vicki também sugere oferecer leite cru ou fermentado todos os dias (as galinhas adoram) e pingar um pouco de vinagre de maçã na água, cerca de uma colher de sopa para cada 4 litros. Segundo ela, o vinagre ajuda a manter o pH equilibrado, melhora a absorção dos nutrientes e evita a formação de algas no bebedouro.
Receita de ração caseira sem soja
Receita de Vicki Hunnicut, pequena produtora do centro do Colorado. As medidas são proporções (partes).
- 7 partes de trigo orgânico (branco macio ou vermelho duro)
- 2 partes de milho orgânico inteiro ou quebrado
- 2 partes de kamut (trigo khorasan) orgânico
- 1½ parte de gergelim orgânico
- 1 parte de cevada orgânica descascada
- 1 parte de painço orgânico
- 1 parte de aveia orgânica em grão
- 1 parte de quinoa orgânica
- 1 parte de semente de girassol orgânica
- ½ parte de linhaça deixada de molho e seca
- ½ parte de alga kelp em grânulos
- ¼ de parte de casca de ovo bem moída
- uma pitada de sal não iodado
À vontade, em recipientes separados:
- concha de ostra moída e/ou grit de granito para pintinhos
- casca de ovo bem triturada
- leite de cabra cru e/ou soro de leite
Onde aprender mais
Para todo o resto, a autora garante que dá para aprender facilmente na internet e nos livros. Os recursos que mais a ajudaram foram os sites Backyard Poultry, The Modern Homestead, The City Chicken e Backyard Chickens (este com um fórum para tirar dúvidas com criadores mais experientes), além de dois livros: Keep Chickens! Tending Small Flocks in Cities, Suburbs, and Other Small Spaces, de Barbara Kilarski, e Storey's Guide to Raising Chickens, de Gail Damerow.
Os funcionários das lojas agropecuárias e dos incubatórios que vendem pintinhos por encomenda também costumam conhecer bem as raças mais adequadas a cada região.
Ovo cru faz mal? Como preparar os ovos
A ideia de comer ovos crus ou malcozidos preocupa algumas pessoas por causa do risco de salmonela. Para a autora, porém, o risco é praticamente inexistente, sobretudo com os ovos certos. Os dados indicam que apenas três em cada mil ovos comerciais estão contaminados com salmonela. Ou seja, o risco já é baixíssimo, e esse número se refere a galinhas alimentadas com milho e soja transgênicos e outras coisas inomináveis, sem ciscar ao sol como deveriam.
O médico osteopata Joseph Mercola explica: "As infecções por salmonela costumam aparecer apenas em galinhas comerciais criadas da forma convencional. Se você compra ovos de galinhas saudáveis, o risco de infecção cai drasticamente. Lembre-se: só galinhas doentes botam ovos contaminados com salmonela."
Donna Gates, autora de The Body Ecology Diet, explica que evitar os perigos da salmonela e de outros patógenos depende do ecossistema interno da galinha e de quem come o ovo, ou seja, você. Um ecossistema intestinal cheio de micro-organismos benéficos combate os patógenos nocivos. O mesmo vale para as galinhas que ciscam no pasto e se banqueteiam com minhocas, insetos e a microflora do solo.
Gema crua, clara cozida
Sobre os ovos crus, Sally Fallon Morell, presidente da fundação, escreve:
"Não há problema em consumir bastante gema crua, um costume presente em muitas dietas tradicionais, mas o consumo regular de clara crua pode causar problemas digestivos. O problema é que a clara crua contém inibidores de enzimas que podem atrapalhar a digestão das proteínas. Os ovos inteiros devem ser cozidos, e tudo bem prepará-los do jeito que você preferir, até mexidos. Bater os ovos não danifica as proteínas nem oxida o colesterol."
A oxidação só acontece, segundo a autora, quando os ovos são forçados por furinhos minúsculos sob alta pressão no processamento industrial.
Donna Gates recomenda cozinhar os ovos "suavemente", para que a proteína não fique difícil de digerir. Ela também prefere comer os ovos com pouca clara (duas gemas para cada ovo inteiro), já que muita gente é mais sensível à parte proteica do ovo do que à gema. As gemas cremosas da Nu&Cru seguem essa lógica.
Para acompanhar, Gates sugere legumes alcalinizantes, principalmente fermentados, como o chucrute, e sal marinho, para equilibrar a natureza ácida dos ovos (como a de todos os alimentos de origem animal). Mas, se as crianças quiserem ovos com bacon (sem nitratos, claro), tudo bem também. Veja como escolher em Bacon faz mal? Como escolher o verdadeiro.
Ovos sobrando? Ideias para usar muitos ovos
A autora nunca imaginou que teria ovos sobrando. Antes das galinhas, vivia contando o estoque comprado do produtor para não faltar e ficava muito decepcionada quando precisava se contentar com os ovos inferiores do mercado. Hoje, os ovos estão no centro do cardápio semanal, e seu repertório de pratos com ovos cresceu bastante. Eis uma lista rápida de preparações que usam uma boa quantidade de ovos:
- Ovos cozidos com sal marinho ou sal temperado: ótimo lanche, vão bem na lancheira ou numa salada.
- Ovos recheados.
- Molho bearnês, delicioso com carne ou peixe.
- Molho holandês para os ovos Benedict, mas também sobre legumes no vapor ou salteados (principalmente brócolis e aspargos). A sobra substitui a maionese.
- Salada de ovos com pimentão vermelho e salsão picados e uma pitada de castanhas crocantes.
- Ovos mexidos, omeletes e fritadas à vontade, em vários sabores: espinafre, queijo feta e azeitonas, para um toque grego; tomate, cebola e pimentão em cubos, para um sabor espanhol (a mesma base da shakshuka); cebola, pimentão, presunto e queijo, à moda do oeste americano. Qualquer sobra de legume ou de carne funciona, como na fritada de carne moída.
- Sanduíche de ovo frito com queijo: pão torrado com maionese, um ovo frito e, quem sabe, um pouco de bacon no meio.
- Sopa de ovo com caldo caseiro de galinha (receita abaixo). Isso, sim, é comida que cura!
- Cremes de ovos, como o nosso pudim cru.
- Vitaminas, como o smoothie de banana e ovos.
- Rabanada, como a nossa rabanada ancestral.
- Tacos de café da manhã ou *huevos rancheros*: tortilha de milho tostada coberta com feijão refrito, alface picada, ovo frito e queijo derretido, com salsa e creme azedo por cima. A Nu&Cru tem a sua versão de comida mexicana.
- Sorvete, como o sorvete cru.
- Gemada (lembre-se: use só a gema).
- Ovos ao forno, quiches e *stratas* (camadas de pão, ovos e queijo assadas), como a quiche de queijo.
- Pudins de tapioca, de pão, de arroz e o que mais a imaginação mandar.
- Macaroons, biscoitinhos que são uma ótima forma de usar todas aquelas claras.
E, quando sobram muitas gemas, há sempre o quindim.
Quem diria que criar galinhas teria tantas vantagens e seria tão divertido? Tenha você crianças correndo pela casa ou não, essas aves vão arrancar sorrisos e presentear a sua mesa com um alimento nutritivo e acessível. A autora recomenda de coração: arrisque-se com algumas amigas emplumadas no quintal.
Como congelar ovos para o inverno
Congelar ovos na época em que as galinhas mais botam ajuda a manter o estoque no inverno, quando a postura diminui. Nessa época, as galinhas trocam as penas, e suas reservas vão para a produção de penas novas, e não de ovos. A menor quantidade de luz no inverno também reduz a postura, por isso alguns criadores usam luz artificial para mantê-la. Deixadas por conta própria, porém, as galinhas botam menos.
Os ovos não congelam bem com casca, porque o conteúdo se expande e a casca racha. Fora da casca, porém, os ovos congelam facilmente e se conservam no congelador por até nove meses.
- Ovos inteiros: quebre cerca de cinco ovos (aproximadamente 1 xícara) numa tigela, fure as gemas e mexa devagar para misturar. Bater rápido demais forma espuma e bolhas de ar, que ressecam os ovos no congelador.
- Sal ou açúcar: um toque de sal ou de açúcar ajuda as gemas a manter a consistência natural. Para cada dois ovos, use cerca de ⅛ de colher de chá de sal ou 1 colher de chá de açúcar, conforme o uso que pretende dar a eles depois de descongelados.
- Como guardar: congele os ovos num pote de vidro, deixando no máximo 1 cm de espaço livre no topo (anote do lado de fora quantos ovos há e se levam sal ou açúcar), ou despeje a mistura em fôrmas de gelo e, depois de congelados, guarde os cubos em saquinhos no congelador.
- Gemas separadas: fure seis ou sete gemas, misture ¼ de colher de chá de sal ou 1 colher de chá de açúcar e congele.
- Claras separadas: basta despejá-las no pote e fechar, de novo com no máximo 1 cm de espaço livre. Deixe as claras congeladas em temperatura ambiente por meia hora, e elas vão crescer na batedeira como se fossem frescas.
Duas receitas com ovos
Sopa de ovo
Numa panela de sopa, refogue de 3 a 5 cebolinhas picadas e cerca de ½ colher de chá de gengibre fresco ralado em manteiga ou ghee, em fogo médio. Junte 1 litro de caldo de frango caseiro, aumente o fogo para médio-alto e deixe ferver. Bata 2 ovos e despeje no caldo fervente. Tempere com sal e pimenta e sirva.
Faça a receita do seu jeito: acrescente outros ingredientes no refogado, como alho, folhas verdes ou cogumelos. Você também pode bater queijo parmesão ralado fino com os ovos.
Ovos assados com queijo cottage
A autora diz que esta receita versátil nunca falha na casa dela.
Ingredientes
- 6 ovos
- 1 xícara de queijo cottage
- temperos a gosto
- 1 xícara de queijo ralado a gosto
- legumes a gosto, picados ou fatiados
- ½ colher de chá de sal marinho
Modo de preparo
- Bata os ovos e junte o queijo cottage.
- Tempere com ervas e especiarias que combinem com o queijo, a carne e os legumes escolhidos.
- Espalhe metade da mistura numa travessa de vidro de 20 x 20 cm.
- Distribua os recheios por cima e cubra com o restante da mistura de ovos.
- Asse a 180 °C por 45 a 50 minutos.
Variações
- Cominho e orégano na mistura de ovos, em camadas com salsa mexicana em pedaços e queijo Monterey Jack ralado (ou outro queijo de massa semidura).
- Tomilho e manjerona na mistura de ovos, em camadas com cogumelos, cebola e aspargos salteados e queijo gruyère.
- Alho (fresco ou em pó) na mistura de ovos, em camadas com cebola salteada, abobrinha ralada e linguiça italiana picada, com queijo Monterey Jack.
- Manjericão na mistura de ovos, em camadas com vagem congelada e tomate em pedaços (em lata ou fresco), com uma mistura de queijos cheddar e feta.
Leia também
Na Nu&Cru
- Frango inteiro: como aproveitar a ave toda
- Café da manhã para crianças: ideias nutritivas
- Lancheira saudável: como montar a perfeita
- Alimentação para engravidar: a lição ancestral
- Carne de pasto: por que custa mais caro
- Receitas com ovos caipiras: gemas cremosas, shakshuka, bacalhau ancestral com ovos caipiras, ovos pochê no caldo de ossos e pão de torresmo com manteiga e ovos cremosos
- Mapa de produtores para comprar ovos caipiras direto de quem cria
Na Weston A. Price Foundation (em inglês)
- Does Eating Egg Yolks Increase Arterial Plaque?
- Water Glassed Eggs: How to Preserve Raw Eggs
- Chicken Tractors 2.0
- Who Needs Soda Pop with These Bodacious Beverages
Referências
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- Damerow, Gail. Storey's Guide to Raising Chickens. Pownal: Storey, 1995, p. 141.
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- Weston A. Price Foundation. FAQ: Miscellaneous Food.
- Gates, Donna. Artigo sobre ovos no site Body Ecology, 2007.
- Bailey, Janet. Keeping Food Fresh: How to Choose and Store Everything You Eat. Nova York: Harper & Row, 1989.
Este artigo é uma adaptação de "Eat Your Eggs and Have Your Chickens Too", de Jen Allbritton, publicado na revista Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, da Weston A. Price Foundation, no verão de 2008. Leia o original em inglês.
As informações têm caráter educativo e não substituem avaliação individual de profissional de saúde habilitado.



