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Blogbebês e crianças · receitas · Weston A. Price

Seletividade alimentar: como lidar em casa

A seletividade alimentar é mais criada do que inata. Entenda as causas, como prevenir e os truques para a criança voltar a comer de tudo.

7 de outubro de 2026 · 29 min de leitura · Nu&Cru

Comida é assunto quente entre pais e mães, e a seletividade alimentar lidera a lista de frustrações. Ver o prato voltar intocado já cansa. Pior ainda é perceber que os poucos alimentos que a criança aceita não oferecem a nutrição de que ela precisa.

Muitos especialistas acreditam que a criança seletiva é formada, e não nasce assim. A nutricionista Jen Allbritton, que assinava a coluna Growing Wise Kids na revista da Weston A. Price Foundation, conta que, depois de muito debate, de conversas com pais experientes, da própria vivência como mãe e de pesquisa, passou a concordar com essa ideia.

Há muitos fatores em jogo, inclusive o estilo de criação de cada família. Seja para evitar o problema, seja para "reprogramar" uma seletividade já instalada, as dicas reunidas pela autora e adaptadas a seguir devem trazer pelo menos uma ideia que combine com a sua casa.


Por que a criança fica seletiva para comer

As causas possíveis são várias. A primeira é simples: cada pessoa nasce com preferências próprias. Tem gente que adora aspargo e tem gente que não suporta, e o mesmo vale para texturas e cores. Aversões fortes, de verdadeira repulsa, devem ser respeitadas.

A segunda é a fome, ou melhor, a falta dela. A fome de verdade, aquela resposta do corpo à necessidade de energia, passa despercebida ou simplesmente não existe na rotina de muitas crianças pequenas. No mundo da comida processada, quem desperta o desejo por um alimento é a aparência e o cheiro, e a fome raramente (ou nunca) é o que leva a criança a comer. O resultado é que ela come o que quer, e não necessariamente o que precisa.

Uma criança que come o que quer, na hora que quer, quase nunca sente fome e tende a ser mais seletiva. Às vezes, a causa é apenas leite demais no lanche ou o hábito de beliscar o dia inteiro.

A terceira causa é o ritmo de crescimento. Depois do primeiro ano de vida, a criança cresce mais devagar e precisa de menos calorias, e essa necessidade menor pode se transformar em recusa. Isso frustra a família que tenta agradar a todos no jantar, principalmente quando o objetivo é educar o paladar da criança para gostar de alimentos nutritivos, que favorecem a saúde e o funcionamento do cérebro.

Na primeira infância, a seletividade é muitas vezes uma questão de controle. A criança começa a mostrar independência, e o que entra na boca dela é uma das poucas coisas que ela controla. A autora é categórica: forçar uma criança a comer nunca funciona, por mais que quase todos os pais caiam na tentação um dia. A boa notícia é que, se a criança decide o que engole, são os pais que decidem o que vai para a mesa.

Essa influência diminui quando os filhos crescem e passam a ter acesso a comida fora de casa, na escola ou na casa dos amigos. Por isso é tão importante ensiná-los a gostar de comida de verdade enquanto são pequenos: o que entra cedo na "biblioteca de memórias de sabor" da criança fica para a vida toda.

Por fim, criança adora plateia, seja de elogios exagerados, seja de desespero. Quanto mais os pais se preocupam e insistem, pior fica o problema. Então, respire fundo e conheça as técnicas para prevenir e corrigir a seletividade.


Como prevenir a seletividade alimentar

Amamentação e variedade de sabores

Segundo a autora, há pesquisas indicando que a amamentação ajuda a prevenir a seletividade. Um estudo publicado em abril de 2004 na revista Pediatrics mostrou que o contato precoce com sabores diferentes pode mudar as preferências alimentares mais tarde.

O leite materno leva ao bebê os sabores da alimentação variada da mãe, o que, acredita-se, abre caminho para um paladar mais amplo. A fórmula infantil, claro, não oferece essa diversidade. Há quem defenda que o bebê começa a se acostumar com diferentes gostos ainda na barriga, quando a mãe come de tudo durante a gestação.

A mesma comida da família, o quanto antes

Assim que possível, o pequeno deve comer os mesmos alimentos nutritivos que o resto da família. O limite é o amadurecimento do sistema digestivo e o desenvolvimento físico do bebê, assunto que a autora detalha no artigo Nourishing a Growing Baby e que a Nu&Cru organiza, fase por fase, no Guia da Introdução Alimentar Ancestral.

Quando chegar a hora, amasse, bata ou desfie o que a família está comendo e ofereça ao bebê. Depois de 1 ano, a maioria das crianças já pode participar de todos os pratos preparados para os adultos, como explicamos em bebê na mesa da família.

Refeições em família

Comam juntos sempre que possível. Para a autora, a refeição em família é o fator mais decisivo para que a criança aceite alimentos novos. Quando o momento é agradável, a criança tende a querer comer o que os pais comem. E, se o hábito começa cedo, ela entende que, à mesa, se escolhe entre o que foi servido.

Um estudo publicado no Archives of Family Medicine mostrou que crianças que jantam regularmente com a família fazem escolhas melhores, comem mais legumes e verduras e ingerem mais nutrientes. Entre os adolescentes, uma pesquisa apresentada em 1997 no congresso da Associação Americana de Psicologia associou as refeições em família a mais motivação na escola, melhores relações com os colegas, menos depressão e escolhas mais sensatas em relação a drogas e álcool.

Os pesquisadores não sabem se o efeito vem das histórias contadas à mesa, do sentimento de pertencimento ou do simples tempo juntos. Não importa: funciona.

O valor que se dá à sobremesa

Preste atenção ao valor emocional que você dá à comida. Não se trata do planejamento, das compras e do tempo na cozinha, e sim de evitar demonstrar ansiedade com a quantidade que a criança come ou com a sua opinião pessoal sobre um alimento.

O exemplo clássico de alimento supervalorizado é a sobremesa. Se a sobremesa vira prêmio, o jantar passa a ser comido só pela promessa do doce. E na noite em que não houver sobremesa, ou em que o pote de sorvete acabar? As crianças vão jantar?

Quando doces nutritivos fazem parte de uma alimentação tradicional bem planejada, eles perdem esse status e deixam de ser campo de batalha. Uma refeição que estimula todos os sabores, inclusive o doce, costuma deixar a sensação de saciedade. Muitas famílias, conta a autora, se dão bem servindo uma pequena porção do doce junto com a refeição: uma fruta ou um iogurte com um fio de melado, por exemplo.

Sim, assim a criança pode comer o doce antes, durante ou depois do resto. Mas, mesmo que comece pelo doce, ela deve continuar com fome para o restante. Se não continuar, é hora de ajustar a refeição ou o tamanho da porção doce.

O objetivo é que a sobremesa não vire moeda de troca todas as noites. Isso não quer dizer que um suborno ocasional não valha ouro em certas situações de puro desespero. Mas, quanto mais atenção a sobremesa recebe, mais a criança a deseja. Ofereça sobremesas nutritivas e bem preparadas, e relaxe: quando o doce faz parte da vida, ele deixa de ser um problema.


Quem manda na mesa?

Todo pai e toda mãe sabem que criar filhos é algo pessoal: nenhum método serve para todas as crianças e todos os pais. A autora apresenta o que vem a seguir como um apanhado de ideias e truques da própria experiência, e não como conselho de criação. Fique com o que funcionar para você.

Como já foi dito, os pais podem controlar as escolhas alimentares da criança pequena. Ela pode não gostar de tudo o que aparece no prato, mas pode aprender a experimentar tudo. Ter curiosidade à mesa e gostar de comida nutritiva são hábitos valiosos para a vida adulta.

Crianças pequenas não têm discernimento para escolher os alimentos que atendem às suas necessidades. Por conta própria, a maioria passaria o dia comendo fast-food e algodão-doce (se o seu filho é diferente, sorte sua!). Com o tempo, o esforço dos pais aparece de verdade quando os filhos começam a ligar o que comem a como se sentem.

Cada família decide quanto controle a criança terá sobre as próprias escolhas. A autora conta que decidiu, há muito tempo, ser uma mãe de um jantar só, levando em conta as preferências de cada um sempre que possível. Ela já passa muito tempo na cozinha, por amor à família, e quer aproveitar a companhia de todos quando termina.

Muitas vezes os pais se sentem cozinheiros de lanchonete, preparando um prato diferente para cada um. Em algum momento é preciso decidir o que se está disposto a aceitar. Se você também prefere fazer uma refeição só, mas cada pessoa da casa quer comer uma coisa, os passos a seguir ajudam a família a sair do buraco da seletividade.


Como lidar com a seletividade alimentar no dia a dia

Primeiro, devolva a fome à criança

Comece eliminando os sabotadores da fome: lanches frequentes demais, líquidos demais durante e entre as refeições e uma criança que dita, sempre, o que vai comer. Considere também problemas de saúde que podem causar desconforto intestinal e tornar a comida menos atraente, como o refluxo e as alergias alimentares.

Mantenha horários regulares, que normalmente incluem café da manhã, lanche, almoço, lanche e jantar. Isso ajuda a criar um "relógio da fome". A comida também deve ser oferecida no mesmo lugar na maior parte do tempo: nada de deixar a criança correndo pela casa com biscoito e leite na mão.

Ofereça variedade, e repita

Ofereça uma boa variedade de alimentos e deixe a criança escolher entre o que foi colocado à mesa. Se um alimento for reprovado pelo paladar, a opinião pode mudar em algumas semanas ou um mês.

Para os menores, basta oferecer o mesmo alimento de novo e de novo, até 15 vezes, para que vejam, cheirem e provem. Para os um pouco maiores, vale deixar a porta aberta com uma frase como "acho que o seu paladar ainda não está pronto para isso". Tente outra vez dali a algumas semanas ou meses para ver se ele "amadureceu".

Se a criança passar a aceitar mais alimentos com essa estratégia simples, problema resolvido. Mas, se a recusa parece vir mais de teimosia, como aconteceu com um dos filhos da autora, talvez seja preciso algo mais enérgico.

Reveja o lanche e o leite

O primeiro ponto a avaliar é o lanche. Se a criança come demais nessas refeições intermediárias, provavelmente chegará sem fome à refeição em família. Nesse caso, diminua as porções ou corte o lanche. Observe e descubra o que funciona para o seu filho. Às vezes, oferecer outra coisa que não leite no lanche já basta para que ele não chegue saciado à mesa.

Leite demais no começo da refeição também pode acabar com a disposição de provar coisas novas, ou de comer qualquer coisa. Uma ideia é o método "uma garfada, um gole": a cada garfada, a criança toma um gole de leite, e assim até o fim da refeição.

Um recado rápido sobre bebidas: para a autora, suco de fruta é água com açúcar e não deve ser oferecido nunca (veja o quadro mais abaixo). O leite deve ser, de preferência, limpo, integral e cru ou fermentado, e a água, filtrada.

A regra da "garfada por educação"

E se a criança está com fome e mesmo assim se recusa a provar o que foi preparado? Uma mãe experiente, que conseguiu reverter a seletividade do filho, contou à autora que criou a regra da "uma garfada por educação". A esperança é que, depois da primeira garfada, a criança descubra que gosta e continue comendo, ou pelo menos tolere o sabor sem reclamar. Quando isso acontecer, capriche nos elogios, nos "toca aqui", nos abraços e nos beijos.

O que oferecer primeiro

Quanto aos alimentos, a autora remete de novo ao seu artigo sobre a alimentação do bebê em crescimento. Em geral, os alimentos mais nutritivos para as crianças são as gorduras e as proteínas de origem animal. Comece por eles e depois avance para legumes, verduras e grãos bem preparados, a mesma ordem de prioridades dos primeiros alimentos do bebê. Frutas e doces, claro, costumam descer com menos resistência.

Quando a criança realmente não gosta

Se a criança provou e de fato não gostou, reconheça o esforço. Ela não deve ser obrigada a comer aquele alimento, pelo menos por um tempo, até o paladar mudar. Quando concluir que não vale a briga para que ela coma mais, respire fundo, sorria e passe para outro alimento da refeição.

Se a refeição terminar mais cedo porque a criança não quis comer o que foi servido, a mesma comida pode ser oferecida no lanche seguinte ou no próximo pedido de comida. Segundo a autora, pular uma ou duas refeições de vez em quando não causa nenhum mal físico a uma criança saudável. Mas cada nova refeição em família começa do zero, com a criança convidada a comer o mesmo que os pais. Quando entende a ideia, ela costuma passar a gostar de experimentar coisas novas, sem o longo espetáculo de birra.

Não dá para obrigar uma criança a comer, mas dá para ensiná-la a pelo menos provar tudo o que a família come. Por volta dos 18 meses, ela já tem idade para entender as escolhas que estão sendo oferecidas e instruções simples. Daí em diante, valem os mesmos princípios.

Firmeza e constância

Seja coerente e mantenha as novas regras com convicção. Ceder e preparar o que a criança quer depois que ela recusou a comida pronta prolonga o problema e ensina que, se fizer escândalo suficiente, ela consegue exatamente o que quer. Da mesma forma, ponha um limite no tempo da refeição. As crianças logo aprendem que, se enrolarem e não comerem, só haverá comida na próxima refeição.

A regra da garfada por educação também ensina a criança a demonstrar carinho e respeito por quem preparou a comida. Provar pelo menos um pouco, sem fazer drama, deixa a vida mais agradável em casa e vale ouro na casa de amigos e parentes.

Durante o processo, pode haver resmungos, disputas e até algumas lágrimas. Não se trata de obrigar a criança a comer algo de que não gosta, o que seria cruel, e sim de ensiná-la que a refeição da família é para todos e que ela precisa escolher entre o que foi oferecido. Quando o pequeno entende as regras da mesa, a vida fica muito mais tranquila para todo mundo.


Restringir demais também atrapalha

Não é preciso ceder a todas as vontades das crianças, mas também não convém ser restritivo demais. Guloseimas fazem parte da vida, simples assim. Não dá para escolher para sempre o que os filhos comem, e um dia eles vão ter contato com alimentos "não aprovados".

Pesquisas indicam que a atitude dos pais em relação às guloseimas, dentro de casa, influencia o que as crianças fazem quando estão por conta própria. Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, das pesquisadoras Jennifer Fisher e Leann Birch, mostrou que meninas pequenas cujos pais controlavam rigidamente a alimentação tinham mais tendência a exagerar em petiscos mesmo sem fome. A hipótese é que o excesso de restrição desvia a atenção da criança dos próprios sinais de fome e saciedade.

Se você oferece alimentos do mais alto valor nutritivo, preparados da forma correta, pode permitir guloseimas ocasionais sem grande preocupação. O melhor é servir o mínimo possível de doces, mas é preferível que os filhos gostem da comida feita em casa a que passem a achar mais atraentes os "alimentos proibidos" industrializados por causa do excesso de restrição. Encontre o equilíbrio da sua família.


Truques para a criança comer de tudo

Tendo ou não uma criança seletiva em casa, fazer crianças de qualquer idade comerem alimentos de nutrição excelente pode ser um desafio. Estas são as ideias da autora.

Envolva as crianças. Torne a comida algo pessoal: chame os pequenos para planejar o cardápio, fazer as compras e preparar as refeições. Assim como juntar o dinheiro do primeiro carro muda a relação com ele, participar do preparo de uma refeição nutritiva muda o olhar da criança sobre o que vai para a boca. Ela pode rasgar folhas de alface, lavar legumes, ralar queijo, sacudir um saco com os ingredientes secos do bolinho e medir ingredientes. E não esqueça de chamá-la também para arrumar a cozinha.

Mostre de onde vem a comida. Pesquisadores da Universidade A&M do Texas descobriram que crianças que passam cerca de 30 minutos por semana cuidando de uma horta comem mais legumes e verduras. Todos ganhamos ao pensar nas etapas da produção do alimento: sol, solo rico, água, tempo, cuidado, plantio e colheita. Quando a criança vê esse processo de perto, fica mais motivada a comer o resultado. Comece uma horta, cultive brotos na bancada da cozinha, visite um pomar, uma plantação de frutas vermelhas ou uma fazenda orgânica de leite cru, ou leve as crianças para pescar. O mapa de produtores da Nu&Cru ajuda a encontrar sítios e fazendas perto de você.

Seja criativo, sem exagero. Faça refeições e lanches divertidos. Monte um rosto no prato, com cabelo de palitos de cenoura e queijo, olhos de rodelas de azeitona, orelhas de tomate-cereja, bigode de pimentão e nariz de cogumelo.

Corte as panquecas no formato das iniciais da criança ou use um cortador para fazer uma torrada em forma de coração. Dê a ela um jogo americano personalizado, só dela. Invente nomes engraçados para os alimentos, como "batata frita verde" para o aspargo ou "queijo na árvore" para floretes de brócolis cozidos no vapor e cobertos de queijo.

De vez em quando, promova a "noite dos talheres malucos": em vez de garfo e colher, cada um escolhe um ou dois utensílios diferentes, como espátulas, boleadores de sorvete ou pegadores. Outra ideia é trocar a louça de todo dia por recipientes divertidos: canecas, taças de sorvete, taças de sobremesa ou aquela travessa de prata que só sai da cristaleira nas festas de fim de ano.

Mantenha as refeições simples, cheias de comida de verdade bem preparada. Evite pratos de restaurante cinco estrelas, com ingredientes estranhos e sabores exóticos: as crianças provavelmente não vão nem tocar.

Brinque com as texturas. A sensação do alimento na boca influencia a aceitação. Se um alimento é rejeitado de um jeito, tente outro! Em vez de ovo mexido, coloque o ovo numa vitamina, como o nosso smoothie de banana e ovos. Em vez de sopa com pedaços, bata tudo. Use a imaginação.

Avise o que vem por aí. Deixe o cardápio da semana à vista. Isso tira o fator surpresa de pratos que, de outra forma, seriam rejeitados.

Não sobrecarregue. Para os menores, opções ou quantidades demais no prato podem tirar a vontade de comer. Coloque só algumas garfadas de um alimento de cada vez. Quando acabarem, ofereça mais.

Vá além do "porque faz bem". Use a língua das crianças para explicar por que a família come certos alimentos: "o pão branco rouba as vitaminas do nosso corpo" ou "peixe deixa a gente inteligente". Para os aspirantes a super-herói: "o bolo de carne de boi criado a pasto vai fazer você enxergar melhor no escuro, pular mais alto, correr mais rápido e pensar na velocidade da luz!"

Molhos para mergulhar e pastas para passar. Criança adora participar ativamente da comida. Experimente iogurte para mergulhar fatias de fruta, pasta de castanhas para os palitos de cenoura ou pasta de abacate para chips de milho caseiros. Uma pasta fácil: bata creme azedo ou crème fraîche com um pouco de espinafre cozido no vapor e bem espremido e algumas gotas de molho inglês. Fica ótima com qualquer legume ou biscoito caseiro.

Beba os nutrientes. As vitaminas batidas são uma boa forma de incluir nutrientes e calorias extras. Comece com uma base de leite cru e acrescente iogurte ou kefir, pelos probióticos. Para um reforço de antioxidantes, junte uma gema crua e açaí: nos Estados Unidos, a autora encontrava a fruta na seção de congelados das lojas de produtos naturais, enquanto aqui a polpa congelada está em qualquer supermercado. Muitos óleos de fígado de bacalhau também podem ser disfarçados numa vitamina saborosa. Inclua um ou mais destes extras ricos em nutrientes: óleo, leite ou creme de coco, pastas de castanhas, abacate, espirulina, acerola em pó, cacau ou alfarroba em pó.

Use caldo sempre que puder. O caldo é um dos alimentos mais nutritivos que se pode servir à família. Uma amiga da autora, Blair, resume assim a sua experiência: "Os caldos de ossos parecem levar as pessoas, naturalmente, na direção dos alimentos densos em nutrientes. Eles saciam tanto que ajudam a entender a ligação entre o intestino e o paladar." Tenha sempre caldo de ossos à mão: o de galinha costuma agradar, mas qualquer caldo caseiro serve. Use-o como base de sopas, faça molhos com frequência, sirva-o quente como bebida, com sal e temperos, e use-o no lugar da água para cozinhar os grãos.

Coma em grupo. Assim como a criança tende a provar o que vê a família comendo, ver os amiguinhos comendo pode despertar o espírito de aventura, ou pelo menos de competição, diante de sabores novos.

Faça um acordo e cumpra. Por exemplo: pegue um pote com seis divisórias e encha cada uma com algo diferente, como castanhas deixadas de molho e secas até ficarem crocantes, frutas frescas ou secas e legumes. Numa das divisórias, coloque um doce, como amêndoas cobertas de alfarroba ou balas caseiras. As crianças beliscam desse pote ao longo do dia, e a divisória do doce só é reabastecida quando o pote inteiro estiver vazio.

Esteja preparado, na cozinha e na cabeça. Ter as refeições planejadas e a despensa abastecida é uma boa ideia, mas estar pronto para a fome do meio da tarde e para os imprevistos é fundamental com crianças e com a vida corrida. Estar preparado é metade da batalha. Evite a caça à comida e a fome voraz sabendo o que será servido no café da manhã, no almoço, nos lanches e no jantar de cada dia. Quando o planejamento e o preparo viram rotina, ficam automáticos e passam a exigir menos tempo e energia. A autora ensina seu método em Family Meal-Planning Strategies.

Na cabeça, encontre coragem nas suas convicções e mostre segurança nas suas decisões sobre comida. Quando você está em paz com o que cozinha e sabe por que aquilo vai sustentar a saúde da família, os outros percebem a sua confiança e se animam a acompanhar.

Para quem tem uma criança seletiva em casa, a autora oferece toda a sua solidariedade. Uma ou mais dessas técnicas certamente vai ajudar: elas funcionaram para muitos pais, inclusive para ela. Vá devagar, pense em pequenos passos, mantenha-se firme e positivo e continue testando até descobrir o que funciona para tirar o "eca" do prato do seu filho.


Como dar óleo de fígado de bacalhau para a criança

Muita gente tem lembranças de uma avó correndo atrás dos netos pela casa com uma colher de óleo de fígado de bacalhau. Para a autora, ele é um dos melhores superalimentos para o crescimento e o desenvolvimento neurológico da criança, mas o cheiro característico e a textura oleosa dificultam. A fundação explica sua posição sobre o óleo em Cod Liver Oil Basics and Recommendations.

Os avanços no processamento mudaram o sabor: o óleo ficou mais suave, e hoje existem várias versões aromatizadas. Teste as opções até achar a favorita da criança: limão, laranja, hortelã-pimenta, canela. Ou acrescente algumas gotas de um óleo essencial próprio para consumo à versão natural.

Quanto mais cedo a criança começar, melhor, porque ela se acostuma ao sabor e à textura. Para bebês e crianças pequenas, use um conta-gotas.

A maioria das crianças não gosta de tomar o óleo na colher. Uma alternativa é misturá-lo com um pouco de água ou de suco fresco e transformar isso num ritual matinal: sirva em copinhos de dose e convide os "caubóis" da casa a passar no balcão do saloon para o drinque da manhã. Explique que o "suco dos músculos" vai deixá-los fortes e bonitos e ajudá-los a ir bem na escola.

Se não funcionar, esconda o óleo numa vitamina ou no mingau de aveia. Misturar com queijo cottage ou iogurte com frutas vermelhas, castanhas e mel também pode dar certo. Como o óleo é delicado, acrescente-o só depois que o alimento esfriar.

Crianças maiores podem preferir cápsulas. Algumas até mastigam as cápsulas gelatinosas e as chamam de "balinhas de vitamina".

Persista todos os dias: essa é a chave do sucesso. Mostre bom humor, porque a sua atitude influencia a reação dos filhos. E, claro, tome também! Diga a eles que você gostaria que seus pais tivessem lhe dado óleo de fígado de bacalhau.


Ovos: como conquistar o "sim"

Em nenhum alimento a seletividade aparece tanto quanto nos ovos. As crianças costumam ter opiniões fortíssimas sobre como gostam deles: umas comem pochê, mas não frito; outras comem frito, mas só com a clara bem firme; outras comem mexido, desde que nenhum pedaço de clara apareça!

O importante é lembrar que o objetivo é a criança comer ovos, e o jeito certo de prepará-los é o jeito que ela come. Não vale a pena bater o pé: faça como ela gosta, mesmo que isso signifique usar um batedor em vez do garfo para deixar os ovos mexidos bem homogêneos, ou tampar a frigideira para que a clara do ovo frito fique firme e a gema continue mole. Um pouco de clara mole no ovo frito pode fazer a criança tomar aversão a ovos para sempre!

Muitas crianças não gostam da textura macia do ovo. Servi-lo com bacon crocante (sem nitrito, claro, como explicamos em bacon faz mal?) ou com pão integral frito costuma resolver. Vale testar com os nossos ovos com bacon.

Quando a criança simplesmente se recusa a comer ovos, e chega a engasgar ou vomitar quando é forçada, misture gemas cruas em vitaminas ou em arroz cozido. Ou sirva com frequência sorvete caseiro feito com muitas gemas, como o nosso sorvete cru. Segundo a autora, não é boa ideia oferecer claras cruas, e a gema é mesmo a parte mais nutritiva do ovo.


Vísceras escondidas

Na maioria das culturas, segundo a autora, o fígado é o primeiro alimento sólido dado aos bebês. A criança que comeu fígado quando bebê pode não ter problema algum em comer fígado e outras vísceras de várias formas ao crescer, inclusive uma refeição semanal de fígado de vitela.

Mas a maioria das crianças de hoje finca o pé diante de vísceras sem disfarce. Se for o caso do seu filho, comece pelas pastas e pelo patê de fígado, bem salgados: ele pode adorar.

As vísceras também podem ser escondidas. Coloque um pouco de coração moído no hambúrguer ou no bolo de carne, ou fígado bem picadinho no molho do espaguete ou no chili. Vísceras picadinhas, da moleja aos rins, somem dentro de pratos reconfortantes como empanadas, tacos, enchiladas e lasanha (e, por aqui, no recheio do pastel ou do escondidinho). O segredo é picar bem fino, temperar bastante e não contar... aí eles nunca vão saber! Mais ideias em como preparar fígado para quem não gosta.


Chips caseiros

Crianças adoram coisas crocantes, sobretudo para acompanhar alimentos macios e nutritivos, como cream cheese ou patê de fígado. É fácil fazer chips em casa, no lugar dos industrializados, cheios de gorduras e óleos ruins.

Passe uma camada fina de banha ou óleo de coco em tortilhas de milho ou de trigo integral germinado, ou em fatias bem finas de pão de fermentação natural. Corte em triângulos ou em formatos divertidos, com cortadores de biscoito, e arrume numa assadeira. Salgue levemente e asse a 180 °C por 5 a 10 minutos, de olho para não queimar. Quando dourar de um lado, vire e asse mais alguns minutos.

As panquecas crocantes são outro petisco que as crianças adoram. Quando fizer panquecas, como a nossa panqueca salgada, prepare algumas pequenas a mais e deixe-as secar no forno morno. Elas viram uma espécie de biscoito e podem ser servidas com cream cheese temperado, mel, doce de damasco ou de maçã, patê, carne ou queijo.


Receitas para montar carinhas no prato

Estas bases servem para decorar com outros alimentos ou para cortar em formatos divertidos. E são gostosas mesmo sem carinha, para o resto da família.

Panqueca de gema

Coloque 1 ou 2 gemas de ovos caipiras numa tigela e misture os ingredientes que quiser, como cenoura, batata, brócolis, frango, carne ou peixe já cozidos. Tempere com sal marinho e/ou algas. Mexa e despeje numa frigideira com óleo de coco quente. Cozinhe até dar para virar e doure o outro lado.

Bolinhos de legumes

  • ½ abobrinha
  • 1 ou 2 cenouras, conforme o tamanho
  • 1 batata pequena
  • 4 colheres de sopa de farinha integral de grãos germinados, secos e moídos
  • 1 ovo caipira
  • ½ colher de chá de sal
  • 1 pitada de pimenta-do-reino

Rale a abobrinha, as cenouras e a batata (devem render cerca de 2 xícaras) e esprema para tirar o máximo de água possível: um pano de prato ajuda. Junte a farinha, o ovo, o sal e a pimenta e misture bem. Aqueça uma frigideira com banha (ou óleo de coco), coloque pequenas colheradas da massa, achate e frite dos dois lados até dourar.


Suco de fruta faz mal? Três motivos para tirá-lo da rotina

Muitos pais acreditam que o suco de fruta é uma bebida saudável para as crianças, já que vem da fruta. A autora provoca: e se ele não for melhor que refrigerante? Ela aponta três "faltas" contra essa bebida tão comum e convida o leitor a tirar as próprias conclusões.

  1. Suco é açúcar concentrado, inclusive nas versões 100% naturais, "sem adição de açúcar". Segundo uma tabela clássica de composição de alimentos, os sucos mais comuns, de maçã e de laranja, frescos ou feitos de concentrado, têm a mesma quantidade de açúcar de um refrigerante médio: cerca de seis colheres de chá por copo de 240 ml. Para a autora, toda fonte de açúcar concentrado prejudica a saúde, mas a frutose, principal açúcar do suco, é especialmente nociva. Ela cita um estudo em ratos em que o consumo prolongado de frutose acelerou a glicação e vários marcadores de envelhecimento. As bebidas mistas de fruta são ainda piores, com açúcar adicionado, aromatizantes artificiais e outros ingredientes sintéticos.
  2. Suco causa sintomas incômodos. A má absorção dos açúcares da fruta, em especial do sorbitol do suco de maçã, pode causar diarreia e desconforto digestivo, como descreveu a Academia Americana de Pediatria em 2001. O consumo excessivo de suco também foi associado a déficit de crescimento em bebês e baixa estatura em algumas crianças.
  3. Suco tira o apetite para a comida nutritiva. O suco, ou "água com açúcar", traz calorias sem nenhuma das fibras da fruta inteira. Além de aumentar a chance de a criança recusar a comida, o excesso de calorias líquidas foi associado ao crescimento da obesidade nessa faixa etária.

As duas melhores bebidas para a criança, segundo a autora, são água limpa e leite integral cru de vacas criadas a pasto. Se o seu filho já está viciado em suco, comece diluindo com água e, aos poucos, tire a bebida de casa de vez.


Leia também

Na Nu&Cru

Na Weston A. Price Foundation (em inglês)


Referências

Artigo

  1. Mennella, Julie A.; Griffin, Cara E.; Beauchamp, Gary K. Flavor Programming During Infancy. Pediatrics, v. 113, n. 4, p. 840-845, abril de 2004.
  2. Gillman, Matthew W. et al. Family Dinner and Diet Quality Among Older Children and Adolescents. Archives of Family Medicine, v. 9, p. 235-240, 2000.
  3. Bowden, Blake Sperry; Zeisz, Jennie M. Supper's On! Adolescent Adjustment and Frequency of Family Mealtimes. Apresentação no congresso da American Psychological Association, Chicago, 16 de agosto de 1997.
  4. Fisher, Jennifer Orlet; Birch, Leann L. Eating in the Absence of Hunger and Overweight in Girls from 5 to 7 y of Age. American Journal of Clinical Nutrition, v. 76, p. 226-231, 2002.
  5. 85º Encontro Anual da American Dietetic Association, 25 de outubro de 2002.

Quadro sobre o suco de fruta

  1. Pennington, Jean A. Bowes and Church's Food Values of Portions Commonly Used. Lippincott, 1998, p. 6-8 e 139.
  2. Levi, B.; Werman, M. J. Long-term Fructose Consumption Accelerates Glycation and Several Age-related Variables in Male Rats. Journal of Nutrition, v. 128, n. 9, p. 1442-1449, 1998.
  3. Appleton, Nancy. Fructose Is No Answer for a Sweetener. 2002.
  4. American Academy of Pediatrics. The Use and Misuse of Fruit Juice in Pediatrics. Pediatrics, v. 107, n. 5, p. 1210-1213, maio de 2001.
  5. Dennison, Barbara A. et al. Children's Growth Parameters Vary by Type of Fruit Juice Consumed. Journal of the American College of Nutrition, v. 18, n. 4, p. 346-352, 1999.
  6. Dennison, Barbara A.; Rockwell, Helen L.; Baker, Sharon L. Excess Fruit Juice Consumption by Preschool-aged Children Is Associated with Short Stature and Obesity. Pediatrics, v. 99, p. 15-22, 1997.

Este artigo é uma adaptação de "Taking the 'Icky' Out of Picky Eaters", de Jen Allbritton, publicado na revista Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, da Weston A. Price Foundation, no outono de 2006. Leia o original em inglês.

As informações têm caráter educativo e não substituem avaliação individual de profissional de saúde habilitado.