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[Blog](https://nuecru.com.br/blog) comida de verdade · Weston A. Price

# Proteína em pó faz mal? O problema do whey

Whey, soja, ervilha e cânhamo: a proteína em pó passa por calor e química pesada. Veja por que a fundação prefere carne, ovos, leite e fígado.

7 de outubro de 2026 · 18 min de leitura · Nu&Cru

Abra qualquer revista de fisiculturismo e você vai encontrar páginas e mais páginas de anúncios de proteína em pó. Entre numa loja de produtos naturais e repare nos potes: muitas vezes há um corredor inteiro deles, de vários tipos, como soja, cânhamo e whey, além de novidades como as proteínas de ervilha e de arroz. Nas academias brasileiras, o pote de whey virou quase um acessório obrigatório.

Esses pós são vendidos com base na ideia de que fisiculturistas, atletas sérios, praticantes de atividade física e até pessoas comuns precisam de mais proteína do que conseguem obter da alimentação. Na internet, incontáveis sites garantem que eles fazem bem a todos e não oferecem perigo algum. Às vezes aparece uma pista de que podem causar má digestão e gases, ou de que o exagero pode levar a pedras nos rins e gota. Mas, no geral, muitos gurus do fitness promovem esses produtos sem nenhum pudor, como o caminho para ganhar resistência, massa muscular e saúde.

Este artigo é uma adaptação de "The Problem With Protein Powders", de [Sally Fallon Morell](https://en.wikipedia.org/wiki/Sally_Fallon), presidente da [Weston A. Price Foundation](https://www.westonaprice.org/), publicado numa edição da revista da fundação dedicada à saúde masculina.

## Proteína é importante, mas de onde ela deve vir?

Ingerir proteína suficiente é importante para todos, e especialmente para quem se exercita com intensidade. A proteína serve para construir e reparar músculos e tecidos, glóbulos vermelhos, cabelo e unhas, e para fabricar hormônios. Também é necessária para reduzir o risco de anemia por falta de ferro e para ajudar na cicatrização.

A questão é outra: atletas e outras pessoas deveriam consumir essa proteína em forma de bebidas, shakes e barrinhas? Os hábitos dos povos tradicionais saudáveis dão uma pista.

## Os povos tradicionais evitavam a carne magra

Os povos tradicionais saudáveis, as chamadas culturas paleolíticas, viviam dos animais da terra e do mar. E preferiam as vísceras e a gordura desses animais, **evitando sempre a carne magra**. Para os [aborígenes australianos](https://pt.wikipedia.org/wiki/Abor%C3%ADgenes_australianos), um canguru magro, ou um peixe pescado na época do ano em que tem pouca gordura, era considerado lixo e logo descartado ( [Lipids, 2003](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12848285/) ).

O explorador [Vilhjalmur Stefansson](https://pt.wikipedia.org/wiki/Vilhjalmur_Stefansson), que viveu entre os inuítes e os indígenas do Canadá, notou que os indígenas evitavam a carne magra com todo o cuidado. Para ele, os grupos que dependiam de animais ricos em gordura, como focas e baleias, eram os mais afortunados entre os caçadores, porque nunca sofriam de "fome de gordura".

### A "inanição por coelho"

Segundo Stefansson, na América do Norte o problema era pior entre os indígenas das florestas, que às vezes dependiam do coelho, o animal mais magro do Norte, e desenvolviam uma forma extrema de fome de gordura conhecida como [inanição por coelho](https://en.wikipedia.org/wiki/Rabbit_starvation). Quem comia só coelho, sem outra fonte de gordura (castor, alce ou peixe), tinha diarreia em cerca de uma semana, com dor de cabeça, prostração e um mal-estar difuso. Se havia coelho suficiente, as pessoas comiam até o estômago estufar, mas, por mais que comessem, não se sentiam satisfeitas.

Alguns acreditavam que um homem morreria mais depressa comendo só carne sem gordura do que não comendo nada, embora, como reconhecia o explorador, não houvesse provas suficientes para decidir a questão. As mortes por esse motivo eram raras, porque todos entendiam o princípio e tomavam as precauções possíveis.

Weston Price descreveu esses povos como musculosos e resistentes, exemplares esplêndidos, exatamente o que o atleta moderno busca. Eles sabiam que uma dieta de carne magra os deixaria muito doentes e, com o tempo, os levaria à morte. Qual é a explicação científica para esse perigo?

## Proteína e vitamina A: a ligação esquecida

A resposta está no artigo [Vitamin A, The Forgotten Bodybuilding Nutrient](https://www.westonaprice.org/health-topics/vitamin-a-the-forgotten-bodybuilding-nutrient/), de Chris Masterjohn, publicado pela fundação em 2004. Masterjohn explica que **o aproveitamento da proteína depende da vitamina A**. Vários estudos com animais mostraram que uma dieta rica em proteína esgota as reservas de vitamina A do fígado, enquanto a vitamina A aumenta em outros tecidos. Uma explicação é que a proteína é necessária para transportar a vitamina A.

Em um dos estudos, pesquisadores deram vitamina A marcada com radioatividade a ratos em dietas pobres e ricas em proteína. Medindo a radioatividade no ar expirado, na urina e nas fezes, constataram que a vitamina A é de fato consumida mais depressa na dieta rica em proteína.

E a relação vai além. Segundo Masterjohn, a vitamina A não só é gasta pelo excesso de proteína como é **necessária para fabricar proteína nova**, que é justamente o objetivo do fisiculturista. Ratos com falta de vitamina A sintetizam proteína num ritmo menor do que ratos bem supridos. E células de músculo esquelético cultivadas em laboratório aumentam a quantidade de proteína quando expostas às vitaminas A e D juntas, mas não quando expostas só à vitamina D.

Em outras palavras: comer carne magra ou tomar proteína em pó manda um recado ao fígado, "mande vitamina A!". **Proteína consumida sem a gordura**, que traz consigo as preciosas vitaminas lipossolúveis, entre elas a vitamina A, é um jeito eficiente de esvaziar rapidamente as reservas de vitamina A do fígado.

### O que acontece quando a vitamina A acaba

E quando o fígado fica sem vitamina A para fornecer ao corpo na hora em que ela é necessária?

A [vitamina A](https://pt.wikipedia.org/wiki/Vitamina_A) é peça-chave em quase todos os processos do organismo, uma espécie de maestro. Além da síntese de proteína, ela participa da produção de hormônios (inclusive hormônios sexuais, como a testosterona, e o hormônio da tireoide), é essencial para o sistema imunológico, para a visão e a audição, tem papel na saúde dos ossos e trabalha em conjunto com as vitaminas D e K2 em tudo, da prevenção de doenças cardíacas à produção das substâncias químicas do bem-estar. A fundação conta essa história em [A Saga da Vitamina A](https://www.westonaprice.org/vitamin-saga-portuguese-translation/), traduzido para o português, e o [fígado](https://nuecru.com.br/blog/beneficios-do-figado) é a fonte mais concentrada desse nutriente.

Para a autora, uma dieta de carne magra, ou que inclua proteína em pó, é **receita para desequilíbrio hormonal, cansaço, depressão, problemas nos ossos, doenças autoimunes, problemas de visão e audição, doença cardíaca e até câncer**.

## Proteína isolada de soja: a mais problemática

Além de inundar o corpo de proteína, os pós trazem outros perigos. A [proteína de soja](https://pt.wikipedia.org/wiki/Prote%C3%ADna_de_soja) é a mais problemática, mas, segundo a autora, todas as proteínas em pó contêm ingredientes que fazem mal.

A fabricação da proteína isolada de soja é um procedimento complexo e de alta tecnologia, que acontece em fábricas químicas, e não em cozinhas:

- O ponto de partida é o farelo de soja desengordurado, fervido numa solução alcalina cáustica para remover as fibras.

- Em seguida, ele é lavado numa solução ácida, que faz a proteína precipitar.

- A coalhada de proteína resultante é mergulhada em outra solução alcalina.

- Por fim, é seca por atomização (spray drying) em temperaturas altíssimas.

As proteínas que saem desse processo estão inevitavelmente desnaturadas, mas algumas muito resistentes, como os [inibidores de protease](https://pt.wikipedia.org/wiki/Inibidor_de_protease), sobrevivem ao tratamento. Elas atrapalham a digestão das proteínas, inclusive, possivelmente, das proteínas boas que você come. Essas moléculas resistentes têm sido associadas a problemas digestivos, pancreatite e até câncer de pâncreas.

### Escondida em quase tudo

A proteína isolada de soja está misturada a quase todos os produtos vendidos hoje: não só nos pós, mas em barrinhas energéticas, shakes de café da manhã, hambúrgueres e salsichas, sem falar das fórmulas infantis de soja. Com 90% a 92% de proteína, ela perde no processamento parte do sabor amargo de feijão da soja e dos açúcares complexos que causam gases. Mas estudos mostram que:

- a proteína isolada de soja **aumenta a necessidade do corpo de vitaminas E, K, D e B12**;

- o fósforo é mal aproveitado, e animais que têm nela a principal fonte de proteína desenvolvem deficiência de cálcio, magnésio, manganês, molibdênio, cobre, ferro e, sobretudo, zinco;

- ela é mais pobre em aminoácidos com enxofre do que outros produtos de soja;

- o processo aumenta os níveis de toxinas e substâncias cancerígenas, como as lisinoalaninas e as [nitrosaminas](https://pt.wikipedia.org/wiki/Nitrosamina).

### Isoflavonas: estrogênio de planta

Entre as leguminosas, a soja é a única com teores muito altos de [isoflavonas](https://pt.wikipedia.org/wiki/Isoflavona), estrogênios de origem vegetal que ficam concentrados na proteína isolada. Segundo a autora, elas podem bloquear a testosterona nos homens, causando infertilidade e até crescimento das mamas. As isoflavonas também respondem pelo efeito depressor da soja sobre a tireoide, não só em produtos muito artificiais, como a proteína isolada, mas também nos mais tradicionais, como o tofu. A fundação reúne as evidências em [Myths & Truths About Soy](https://www.westonaprice.org/health-topics/myths-truths-about-soy/) e comenta um estudo sobre soja e testosterona em homens que treinam força em [Whey to Go?](https://www.westonaprice.org/health-topics/soy-alert/whey-to-go-soy-protein-lowers-testosterone-in-strength-training-men/).

A maioria dos atletas já aprendeu que a soja não é sua amiga, e os produtos de soja perderam o brilho. As vitrines de leite de soja e proteína de soja sumiram dos mercados e das lojas de produtos naturais, substituídas por coisas como leite de amêndoas e proteína de cânhamo em pó.

## Cânhamo e ervilha: o mesmo processo

O problema é que **qualquer proteína vegetal em pó passa por um processo de fabricação parecido**: separação das fibras por fervura em soluções alcalinas cáusticas e secagem por atomização em temperaturas muito altas, o que deixa as proteínas desnaturadas e possivelmente tóxicas.

A proteína de cânhamo pode não trazer uma carga de isoflavonas, mas contém [canabinoides](https://pt.wikipedia.org/wiki/Canabinoide), as mesmas substâncias da sua prima, a maconha. Não nos mesmos níveis, claro: os fabricantes fazem questão de dizer que o cânhamo tem só cerca de 5% dos canabinoides da maconha. Mas quanto pó de cânhamo as pessoas estão tomando? E esses compostos problemáticos não ficariam mais concentrados num pó de proteína?

A proteína de ervilha é a novidade entre as leguminosas em pó. Um fabricante descreve sua proteína isolada de ervilha como feita de ervilhas não transgênicas "pelos processos de isolamento, homogeneização, evaporação instantânea, esterilização e secagem por atomização". Isso soa como três aplicações de calor alto! A ervilha pode ter bem menos isoflavonas do que a soja, mas ainda contém muitos compostos problemáticos, como o [ácido fítico](https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81cido_f%C3%ADtico) e oligossacarídeos de difícil digestão. Eles podem ser neutralizados com o remolho correto e o cozimento longo tradicional, mas não é assim que se faz a proteína isolada de ervilha.

## Whey protein faz mal? O resíduo da indústria do queijo

A proteína de soja nasceu como resíduo da indústria do óleo de soja: é o jeito que a indústria encontrou de lucrar com a borra rica em proteína que sobra depois da extração do óleo. O [whey](https://pt.wikipedia.org/wiki/Soro_de_leite), o soro de leite, é o resíduo da indústria do queijo.

No passado, antes de o agronegócio inventar a ideia insana de separar as espécies da fazenda e criar cada uma em instalações próprias, o soro da fabricação de queijo alimentava os porcos da mesma fazenda ou das vizinhas. É o sistema que ainda se usa na Itália: o soro da produção do [Parmigiano-Reggiano](https://pt.wikipedia.org/wiki/Parmigiano-Reggiano) vai para os porcos das fazendas próximas e se transforma no delicioso [presunto de Parma](https://pt.wikipedia.org/wiki/Presunto_de_Parma). (A Nu&Cru ensina a fazer em casa o [queijo parmesão](https://nuecru.com.br/receitas/queijo-parmesao) e o [presunto](https://nuecru.com.br/receitas/presunto).) Fica difícil quando todos os porcos estão na Carolina do Sul e todas as vacas leiteiras, em Wisconsin ou no Texas.

### Como o soro vira pó

O soro corrói até concreto, por isso não pode ir para o esgoto. Mas a indústria deu um jeito de transformar essa substância delicada em pó, num processo complicado:

- O soro líquido é separado do leite pasteurizado usado na maior parte da fabricação de queijo.

- Sob pressão, ele é forçado através de membranas que separam as proteínas das moléculas menores, pelo menos duas vezes: primeiro na microfiltração, depois na ultrafiltração. As pressões vão de cerca de 2 a 7 bar.

- O líquido resultante é expelido por um bico a 250 °C para virar pó.

Esse processo danifica as proteínas do soro? Segundo uma fonte da internet citada pela autora, a pressão da filtração, embora não seja considerada excessiva, basta para alterar a estrutura de pontes de hidrogênio da água e, portanto, desorganizar a estrutura das proteínas. E, caso ainda reste alguma vida nas proteínas depois da pasteurização e da filtração, a secagem a 250 °C resolve. **O resultado certo é a desnaturação das proteínas e a oxidação das partículas minúsculas.**

### O soro cru e a glutationa

O soro líquido cru é uma fonte maravilhosa de [glutationa](https://pt.wikipedia.org/wiki/Glutationa), o principal desintoxicante do corpo. Mas a glutationa não funciona depois de aquecida. O soro também pode virar pó por liofilização, um processo caro que poucas marcas usam. De qualquer forma, o soro já vem de leite pasteurizado, e as temperaturas da pasteurização bastam para desnaturar a delicada glutationa, como explica o artigo irmão [Leite UHT faz mal?](https://nuecru.com.br/blog/leite-uht-faz-mal). Já o soro que escorre da [coalhada natural](https://nuecru.com.br/receitas/coalhada-natural) feita com leite cru continua vivo; a fundação mostra como usá-lo em [Enjoying Little Miss Muffet's Curds and Whey](https://www.westonaprice.org/health-topics/childrens-health/enjoying-little-miss-muffets-curds-and-whey/).

## Quanta proteína você precisa por dia?

Resta a pergunta: quem treina pesado, ou mesmo quem é sedentário, precisa de proteína extra? É difícil atingir a necessidade de proteína com a dieta ocidental moderna?

A necessidade de proteína varia com a idade, o sexo, o peso e o nível de atividade física. Em números redondos, os homens precisam de cerca de 50 a 100 gramas por dia, e as mulheres, de 50 a 75 gramas. Um homem de cerca de 82 kg em treinamento físico intenso pode precisar de até 160 gramas por dia.

### Blocos de 25 gramas

Um bom jeito de calcular é pensar nos alimentos proteicos como blocos de cerca de 25 gramas de proteína. Em números redondos, cada um destes fornece um bloco:

- 1 porção de carne, fígado, ave ou peixe (cerca de 100 g);

- 1 porção de queijo (cerca de 80 g);

- 4 ovos;

- 3 xícaras de leite (cerca de 720 ml).

**Mulheres** atingem a necessidade com dois a três blocos. Uma porção de carne, uma de queijo, dois ovos e cerca de meio litro de leite fornecem uns 75 gramas de proteína.

**Homens** precisam de até quatro blocos. Duas porções de carne, uma de queijo e quatro ovos ou três xícaras de leite fornecem cerca de 100 gramas.

E o fisiculturista ou triatleta que precisa de até 160 gramas por dia? Se ele comer carne nas três refeições, mais uma porção de queijo, quatro ovos e cerca de 1 litro de leite (cru, é claro), terá a necessidade mais do que satisfeita. Pode parecer muita comida para uma pessoa comum, mas atletas comem muito mesmo. E é **comida de verdade, que o corpo sabe digerir e que vem com todo o seu conjunto de vitaminas, minerais e cofatores**. Quem sente falta do shake pode batê-lo com ingredientes de verdade, como no [smoothie de banana e ovos](https://nuecru.com.br/receitas/smoothie-de-banana-e-ovos) ou na [vitamina de banana](https://nuecru.com.br/receitas/vitamina-de-banana) com leite cru; para encontrar leite cru, ovos e carne direto de quem produz, use o [mapa de produtores](https://nuecru.com.br/produtores).

### Muita proteína pede muita vitamina A

Com tanta proteína, os atletas precisam cuidar para ter vitamina A suficiente para aproveitá-la. Masterjohn faz o alerta: fisiculturistas e outros atletas que querem ganhar músculo têm interesse em aumentar a testosterona e outros fatores de crescimento e em aproveitar ao máximo a proteína. As recomendações típicas incluem quantidades altíssimas de proteína, mas excluem alimentos ricos em vitamina A, como o fígado, e as dietas com pouca gordura praticamente banem a vitamina A ao cortar alimentos como o leite integral.

Para ele, a combinação de uma dieta rica em proteína, que esgota a vitamina A, com uma dieta pobre em gordura, que não a repõe, é **receita certa para a deficiência desse nutriente vital**. Exercícios que exigem muita testosterona, como o agachamento e o levantamento terra, costumam ser recomendados para o ganho muscular, mas sem vitamina A o corpo não consegue atender a essa demanda.

Masterjohn conclui que está na hora de os atletas esquecerem os mantras modernos e lembrarem a sabedoria alimentar do passado, chegando a um físico magro e musculoso por meio de alimentos tradicionais como o fígado (veja [como preparar fígado para quem não gosta](https://nuecru.com.br/blog/como-preparar-figado) ), as gemas, como nas [gemas cremosas](https://nuecru.com.br/receitas/gemas-cremosas), o leite integral, a [manteiga de vacas criadas a pasto](https://nuecru.com.br/blog/manteiga-faz-mal) e o óleo de fígado de bacalhau.

### Excesso de proteína não constrói músculo

Aliás, estudos mostram que o excesso de proteína não aumenta a massa muscular. O que constrói músculo em atletas saudáveis é o treino de força. Um blogueiro resumiu assim: Tom quer aumentar o tamanho e a força da parte de cima do corpo (para impressionar as mulheres, é claro). Ele vai a uma loja de produtos naturais, onde lhe dizem para tomar shakes de proteína em todas as refeições. Depois, vai ao médico do esporte e ao nutricionista esportivo, que recomendam uma quantidade moderada de proteína, natação três vezes por semana e musculação para a parte superior do corpo outras três vezes. Qual dos dois conselhos você acha que vai funcionar?

E a autora deixa um recado aos rapazes: a carreira de atleta não dura para sempre. Quando ela acabar, você vai querer ter saúde para aproveitar suas conquistas, ter filhos saudáveis e viver bem até a velhice. **Isso só é garantido com uma alimentação baseada em comida de verdade, incluindo as vísceras e a gordura.**

## Outras proteínas em pó

- **Proteína de arroz:** é a queridinha mais recente do mundo dos produtos naturais, anunciada como não alergênica, de fácil digestão e "totalmente vegana". A maioria das marcas ainda usa produtos químicos cáusticos e calor alto, embora algumas anunciem uma técnica enzimática "crua". Mesmo os fabricantes que alardeiam o processo natural admitem que o pó tem gosto amargo, até "repulsivo", e precisa ser disfarçado com outros ingredientes, ou seja, adoçantes. Como todas as proteínas vegetais em pó, oferece proteína incompleta, que precisa ser complementada com alguma leguminosa. Comer carne é uma alternativa melhor.

- **Clara de ovo em pó:** é seca por atomização em temperaturas muito altas e tende a ser altamente alergênica.

- **Proteína de cranberry:** sério? É feita da casca das frutinhas espremidas para fazer suco, mais um resíduo da indústria. Anunciada como rica em antioxidantes e ômega-3, dificilmente contém proteína de boa qualidade, e ainda vai precisar de muito adoçante para disfarçar o amargor.

- **Proteína de alcachofra:** o que vão inventar depois? Anunciada como rica em [inulina](https://pt.wikipedia.org/wiki/Inulina), um carboidrato de digestão muito difícil feito de moléculas de frutose, deve causar gases e, de quebra, sobrecarregar o fígado.

- **Proteína de caldo de ossos em pó:** provavelmente é uma fonte importante de [glifosato](https://pt.wikipedia.org/wiki/Glifosato), a não ser que seja feita com produtos orgânicos de animais criados a pasto (a fundação trata do tema em [Glyphosate in Collagen](https://www.westonaprice.org/health-topics/environmental-toxins/glyphosate-in-collagen/) ). O melhor é fazer o próprio [caldo de ossos](https://nuecru.com.br/blog/caldo-de-ossos) com ossos de animais criados a pasto.

## O que mais vem no pote

Pouquíssimas proteínas em pó vêm sem uma série de ingredientes adicionados. Entre eles:

- **Adoçantes:** são necessários porque esses pós costumam ser muito amargos. Entre os calóricos, estão o açúcar e o xarope de milho rico em frutose. O adoçante artificial mais comum é a sucralose. O acessulfame de potássio, considerado por alguns o adoçante mais perigoso que existe, aparece em muitos rótulos. E há a maltodextrina, um adoçante feito de milho.

- **Aminoácidos:** o mais comum é a [L-glutamina](https://pt.wikipedia.org/wiki/Glutamina), segundo a autora provavelmente neurotóxica e péssima notícia para quem é alérgico a glutamatos livres. Muitos produtos trazem uma série de aminoácidos livres, compostos que podem ter efeitos semelhantes aos de remédios e só deveriam ser usados com orientação de um profissional qualificado.

- **Óleos vegetais:** como os de girassol e de soja, os mesmos que a fundação aponta em [Ômega-6: o perigo dos óleos vegetais](https://nuecru.com.br/blog/omega-6-oleos-vegetais). Um rótulo chega a afirmar (ilegalmente) que o óleo de soja protege contra doenças cardíacas!

- **Aditivos:** aromatizantes naturais e artificiais, corantes, carragena, goma de celulose, goma xantana e mono e diglicerídeos.

- **Pedaços de biscoito:** não é piada, um produto contém "pedaços de biscoito".

- **Cacau e chocolate:** os adeptos da malhação parecem adorar chocolate, que aparece em muitos desses produtos.

## Leia também

### Na Nu&Cru

- [Fígado: o alimento mais nutritivo que existe](https://nuecru.com.br/blog/beneficios-do-figado)

- [Como preparar fígado para quem não gosta](https://nuecru.com.br/blog/como-preparar-figado)

- [Leite UHT faz mal? A verdade da caixinha](https://nuecru.com.br/blog/leite-uht-faz-mal)

- [Caldo de ossos: benefícios e como fazer](https://nuecru.com.br/blog/caldo-de-ossos)

- [Carne de pasto: por que custa mais caro](https://nuecru.com.br/blog/carne-de-pasto-cara)

- Receitas ricas em proteína de verdade: [fígado acebolado](https://nuecru.com.br/receitas/figado-acebolado), [ovos com bacon](https://nuecru.com.br/receitas/ovos-com-bacon), [kefir de leite](https://nuecru.com.br/receitas/kefir-de-leite) e [coração de boi](https://nuecru.com.br/receitas/coracao-de-boi)

- [181 Receitas Ancestrais](https://nuecru.com.br/receitas-ancestrais), o livro de receitas da Nu&Cru

### Na Weston A. Price Foundation (em inglês)

- [Vitamin A, The Forgotten Bodybuilding Nutrient](https://www.westonaprice.org/health-topics/vitamin-a-the-forgotten-bodybuilding-nutrient/)

- [Protein: Building Blocks of the Body](https://www.westonaprice.org/health-topics/abcs-of-nutrition/protein-building-blocks-of-the-body/)

- [Splendid Specimens: The History of Nutrition in Bodybuilding](https://www.westonaprice.org/health-topics/splendid-specimens-the-history-of-nutrition-in-bodybuilding/)

- [Proliferating Protein Supplements](https://www.westonaprice.org/health-topics/proliferating-protein-supplements-animal-vegetable-and-other/)

- [Myths & Truths About Soy](https://www.westonaprice.org/health-topics/myths-truths-about-soy/)

## Referências

- Rouja PM, Dewailly E, Blanchet C et al. [Fat, fishing patterns, and health among the Bardi people of North Western Australia](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12848285/). Lipids, 2003;38(4):399-405.

- Stefansson, Vilhjalmur. **The Fat of the Land**. Nova York: Macmillan, 1956.

- **How does protein denaturation work?** Biology Stack Exchange.

- Masterjohn, Chris. [Vitamin A, The Forgotten Bodybuilding Nutrient](https://www.westonaprice.org/health-topics/vitamin-a-the-forgotten-bodybuilding-nutrient/). Wise Traditions, outono de 2004.

- **Protein**. Página de Caryn, Rice University.

Este artigo é uma adaptação de "The Problem With Protein Powders", de Sally Fallon Morell, publicado na revista Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, da Weston A. Price Foundation, no inverno de 2016. [Leia o original em inglês](https://www.westonaprice.org/health-topics/abcs-of-nutrition/the-problem-with-protein/).

As informações têm caráter educativo e não substituem avaliação individual de profissional de saúde habilitado.

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