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description: "O pão de fermentação natural de centeio sustentou as aldeias suíças visitadas por Weston Price. Veja o que restou dele e quem luta para revivê-lo."
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[Blog](https://nuecru.com.br/blog) fermentação · do produtor à mesa · Weston A. Price

# Pão de fermentação natural: a lição suíça

O pão de fermentação natural de centeio sustentou as aldeias suíças visitadas por Weston Price. Veja o que restou dele e quem luta para revivê-lo.

7 de outubro de 2026 · 17 min de leitura · Nu&Cru

Quem visita os sites de turismo da Suíça logo encontra referências às tradições centenárias de panificação do país e aos **mais de duzentos tipos de pão**oferecidos ao visitante. Falar em séculos não é exagero: os vestígios de pão mais antigos de que se tem notícia, de 3500 a.C., teriam sido encontrados justamente na Suíça. O curioso é que o**pão de fermentação natural** de centeio, que alimentou os vales dos Alpes por gerações, ficou mais difícil de achar do que os pães de festa.

Os pães suíços também não são só para turistas. Segundo um [site sobre a vida no país](https://www.newlyswissed.com/switzerland-land-of-bread/), cada suíço consome em média **49 kg de pão por ano**, contra cerca de 17 kg do americano médio. (Os americanos, ironiza a autora, compensam o consumo "insuficiente" de pão, pelos padrões europeus, sustentando mais de treze mil lojas de donuts.)

Infelizmente, boa parte desse pão parece vir em variações sobre o mesmo tema: pães de fermento biológico feitos só ou principalmente com farinha branca refinada. Expostos de forma tentadora nos supermercados, nas padarias e até em museus de "comida tradicional", pães como a trança [Zopf](https://en.wikipedia.org/wiki/Zopf) e o brioche com passas, antes reservados aos domingos e às ocasiões especiais, hoje parecem mais fáceis de encontrar do que os pães "de todo dia" de antigamente, como o tradicional pão de centeio de fermentação natural.

Este artigo, adaptado de um texto de Merinda Teller publicado na revista da [Weston A. Price Foundation](https://www.westonaprice.org/), conta o passado, o presente e o possível renascimento desse pão.

## O pão de antigamente: o centeio do Lötschental

Os membros da Weston A. Price Foundation conhecem bem a história: o pão de centeio de fermentação natural, substancioso e rico em nutrientes, era o alimento básico dos aldeões que o dentista [Weston Price](https://nuecru.com.br/blog/weston-a-price-o-que-os-povos-tradicionais-podem-nos-ensinar-sobre-alimentacao) encontrou ao visitar o vale de [Lötschental](https://en.wikipedia.org/wiki/Lötschental), na Suíça, no início dos anos 1930.

O Lötschental fica na parte alta do [Valais](https://pt.wikipedia.org/wiki/Cantão_de_Valais), um dos 26 cantões suíços, que equivalem, mais ou menos, aos nossos estados. O Valais abriga alguns dos picos mais famosos dos Alpes, como o Matterhorn.

Para evocar como era o vale no tempo de Price, um [blogueiro](https://behealthynow.wordpress.com/2012/02/29/are-you-healthier-than/) pede aos leitores que imaginem uma aldeia isolada, cercada de montanhas íngremes, **"sem estradas pavimentadas, sem hospitais, sem dentistas, sem médicos e sem eletricidade"**, sujeita a "invernos longos e frios" e dependente do que os moradores "conseguiam colher e produzir por conta própria".

Apesar do retrato sombrio, Price encontrou ali **aldeões radiantes de saúde**, que viviam de pão de centeio, laticínios crus e, de vez em quando, carne de carneiro. Ainda hoje, os visitantes descrevem o vale como um lugar "secreto" e " [mágico](https://www.britishresidents.ch/visit-magic-valley-lotschental/) ", ideal para conhecer "aldeias rurais suíças intocadas". A fundação publicou o relato de uma dessas viagens em [A Visit to Switzerland's Loetschental in the Footsteps of Weston A. Price](https://www.westonaprice.org/health-topics/in-his-footsteps/a-visit-to-switzerlands-loetschental-in-the-footsteps-of-weston-a-price/).

### Por que o centeio

O [centeio](https://pt.wikipedia.org/wiki/Centeio) combinava naturalmente com o Lötschental e com os outros vales alpinos, porque é **mais resistente do que os outros grãos** e tem um longo histórico de adaptação a condições extremas: "o frio do inverno, as nevascas, o calor e a seca do verão e as grandes altitudes".

Por causa do perfil de amido, bem diferente do trigo, o pão de centeio de fermentação natural tinha outra vantagem: **podia durar até alguns meses**. Isso era crucial, porque os aldeões assavam o pão em **fornos comunitários**, acesos só a cada dois ou três meses. Fazer pão exigia muita força, por isso era tarefa dos homens da aldeia, e ocasião para beber vinho e cerveja.

Os pães eram feitos com um furo perto da borda, para serem pendurados em ganchos e curarem. Os aldeões consideravam **duas semanas o mínimo** para um pão bem curado.

## O pão de hoje: o selo AOP e o fermento biológico

Os registros escritos do pão de centeio no Valais remontam ao início do século XIII. Talvez por essa história, o Valais é a única região da Suíça a ter um pão com o selo de qualidade **AOP** (appellation d'origine protégée, a [denominação de origem protegida](https://pt.wikipedia.org/wiki/Denominação_de_origem_protegida) ).

O selo, concedido também a queijos, carnes, vinhos e outros produtos regionais de todo o país, pretende "ajudar os consumidores a se posicionar contra produtos padronizados e de produção em massa", garantindo que o produto foi " [produzido, processado e refinado em uma região claramente delimitada](https://www.cheesesfromswitzerland.com/en/cheeses-from-switzerland/labels-quality-marks/aop-und-igp) ". O Valais [apresenta o selo](https://www.valais.ch/en/taste/valais-specialties/rye-bread) como uma forma de preservar a paisagem, ao garantir que o centeio continue a ser cultivado.

Apesar dessa filosofia contrária à produção em massa, o Valais produz **mais de um milhão de pães de "centeio tradicional do Valais" por ano**. Os divulgadores dizem que o pão "ainda tem a mesma aparência de cem anos atrás". Mas será que os moradores do Lötschental do tempo de Price achariam que ele tem o mesmo sabor?

### O que mudou na receita

Provavelmente não. Segundo a [Fundação Slow Food para a Biodiversidade](https://www.fondazioneslowfood.com/en/slow-food-presidia/traditional-valais-rye-bread/), as regras do selo AOP permitem que os produtores acrescentem **até 10% de farinha de trigo** e também fermento biológico, "para um preparo mais rápido e fácil".

Já o punhado de padeiros artesanais que continuam fiéis à "receita simples e antiga" usa **apenas centeio puro, água e sal**. O fermento natural, que no Brasil muita gente conhece como levain (como o nosso [levain de einkorn](https://nuecru.com.br/receitas/levain-de-einkorn) ), e um descanso da massa de até dezoito horas são os fatores decisivos que dão ao pão seu sabor característico.

## Retrato de um padeiro artesanal

A troca da fermentação natural pelo fermento biológico começou no século XIX. O "processo de fermentação rápido e simples" permitido pelo fermento, somado aos novos métodos de produção mecanizada, pareceu preferível à longa fermentação e às técnicas consagradas que o pão de fermentação natural exige.

Para alguns consumidores do século XXI, porém, o pêndulo começou a voltar. Para esse grupo atento à comida, nos Estados Unidos, na Suíça ou em qualquer lugar, **o pão de fermentação natural tradicional oferece mais sabor, mais valor nutritivo e mais durabilidade, sem nenhum aditivo**.

### De onde veio Baptiste Dujardin

Baptiste Dujardin (cujo sobrenome, por feliz coincidência, significa "do jardim") faz parte da nova geração de padeiros suíços engajados no resgate da produção artesanal de alimentos e de pães. Nascido no sul da França, ele chegou à Suíça depois de uma temporada transformadora, no fim da adolescência, em uma comunidade intencional no Reino Unido.

Ali, descobriu um mundo "alternativo" que despertou um interesse duradouro por saúde, alimentos tradicionais e [agricultura biodinâmica](https://pt.wikipedia.org/wiki/Agricultura_biodinâmica), um modelo que vai além do orgânico, lançado nos anos 1920 pelo filósofo austríaco [Rudolf Steiner](https://pt.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Steiner).

Depois de se mudar para Vevey, no cantão de Vaud, vizinho do Valais a noroeste, Baptiste se sustentou com um serviço de bufê enquanto aprendia sobre produção artesanal de alimentos e panificação. Frequentou oficinas locais e fez muitos experimentos. Também passou três anos estudando medicina aiurvédica, mas concluiu que cumpriria melhor seu propósito ajudando a construir as redes de comida local e tradicional que começavam a surgir no cantão. Vaud é uma das principais regiões agrícolas da Suíça, conhecida pelos vinhos e pelas frutas, e lidera no país a produção de grãos próprios para panificação.

### Le Pain Holistique: grãos direto da fazenda

Por volta de 2015, com o nome Le Pain Holistique ("o pão holístico"), Baptiste começou a vender pães artesanais em pequena escala, **todos feitos pelo método tradicional de fermentação natural**. Desde o início, ele faz questão de comprar grãos, sementes e leguminosas diretamente de **pequenas fazendas biodinâmicas que moem os grãos na própria propriedade**.

Graças às dimensões compactas da Suíça, ele dirige apenas quinze minutos até as poucas fazendas com que trabalha. Baptiste as descreve como fazendas que entendem de permacultura, "no estilo de [Joel Salatin](https://en.wikipedia.org/wiki/Joel_Salatin) ": integram animais, hortaliças, grãos e árvores frutíferas em paisagens diversificadas e, o mais importante, estão dispostas a inovar e experimentar.

Desses agricultores, ele obtém centeio e várias formas antigas de trigo, como espelta, [einkorn](https://pt.wikipedia.org/wiki/Triticum_monococcum) e emmer, além de trigo-sarraceno e grão-de-bico. Cada receita destaca um desses ingredientes como "estrela", para valorizar o sabor único de cada grão. O einkorn, aliás, é a base do nosso [pão de fermentação natural com trigo einkorn](https://nuecru.com.br/receitas/pao-de-fermentacao-natural-com-trigo-einkorn) e do [pão de fermentação longa com trigo ancestral einkorn](https://nuecru.com.br/receitas/pao-de-fermentacao-longa-com-trigo-ancestral-einkorn).

### Do estranhamento à clientela fiel

No começo, Baptiste assava cerca de 30 kg de pão por semana, mas, "como as pessoas não estavam acostumadas a esse tipo de pão", nem sempre conseguia vender tudo. O preço mais alto que o do pão de padaria comum atrapalhou o crescimento no início, até que as pessoas passaram a entender o valor dos ingredientes biodinâmicos de alta qualidade e do demorado processo de fermentação natural.

Com o tempo, a integridade de Baptiste, o boca a boca e os próprios pães conquistaram muitos adeptos. Hoje ele tem uma clientela entusiasmada, que aprendeu a apreciar o fato de que **o pão artesanal não é uniforme**, e que compra cerca de **150 kg de pão por semana**.

Baptiste também vende ovos de galinhas criadas a pasto e, fiel à formação aiurvédica, um ghee dourado "preparado com harmonia" a partir de [manteiga](https://nuecru.com.br/blog/manteiga-faz-mal) orgânica de vacas a pasto. Para manter os custos baixos, seu principal ponto de venda é a **feira de produtores** local, que funciona duas vezes por semana. Ele também vende em uma loja de produtos naturais (que oferece, entre outras coisas, [kombucha](https://nuecru.com.br/receitas/kombucha) e leite cru) e em uma fundação que dá continuidade às ideias de Rudolf Steiner.

### O sonho do forno a lenha

Baptiste aluga o espaço e um forno dos anos 1980 de uma padaria comercial, mas seu objetivo de longo prazo é assar em **forno a lenha**, como faziam os moradores do Lötschental. Há planos de se unir a outros agricultores e produtores de alimentos para criar uma comunidade agrícola em um pequeno município acima de Vevey. Ele sonha com o dia em que todas as etapas, do cultivo do grão à moagem, à panificação e à venda, aconteçam em um só lugar.

## A encruzilhada da agricultura suíça

Baptiste observa que a agricultura suíça está em uma encruzilhada e cheia de contradições. De um lado, negócios como o dele, em parceria com pequenos agricultores inovadores voltados à agricultura regenerativa, estão na linha de frente do esforço para resgatar o papel historicamente importante da Suíça no movimento orgânico.

Nos anos 1920, os agricultores suíços estiveram entre os primeiros a usar métodos biodinâmicos. Nos anos 1940, o país seguiu aperfeiçoando a agricultura "orgânico-biológica" e, nos anos 1970 e início dos 1980, criou o [Instituto de Pesquisa em Agricultura Orgânica](https://www.fibl.org/en/locations/switzerland) (FiBL) e a Bio Suisse, associação das organizações de agricultura orgânica do país, junto com normas para o cultivo orgânico.

### Pequenas fazendas em risco, orgânicos em alta

Hoje, as pequenas fazendas convencionais suíças não vão bem, em parte por causa de políticas nacionais de subsídio que favorecem "menos fazendas, porém maiores". Além disso, a tecnocrática Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tomou partido contra as pequenas propriedades familiares, defendendo "o surgimento de fazendas maiores" e a "mudança das regras de herança atuais, que favorecem a agricultura entre gerações".

As fazendas orgânicas, por outro lado, estão em plena expansão. Depois de uma queda, nos anos 2000, na proporção de terras agrícolas suíças dedicadas ao cultivo orgânico, a agricultura sem químicos voltou a crescer a partir de 2010. Hoje, **uma em cada sete fazendas suíças (14,4%) é orgânica**, o dobro da proporção do ano 2000.

### O problema dos agrotóxicos

O crescimento dos orgânicos pode ser impulsionado, em parte, pela consciência cada vez maior de que a Suíça tem um sério problema com agrotóxicos. Estudos documentam uma contaminação "assustadora" e "pior do que se temia" dos [cursos d'água em áreas agrícolas](https://www.swissinfo.ch/eng/dirty-water_excessive-levels-of-pesticides-found-in-small-streams/44868158), com **de setenta a noventa princípios ativos de agrotóxicos detectados em cada ponto**. Em 2018, o governo chegou a aumentar a concentração máxima permitida de micropoluentes nos lagos e rios suíços, inclusive com um limite **3.600 vezes maior para o [glifosato](https://pt.wikipedia.org/wiki/Glifosato) **.

Nas propriedades rurais, o problema não se limita à agricultura convencional. Um [estudo divulgado em abril de 2019](https://www.swissinfo.ch/eng/archive-banking-fintech/banned-substances_study-finds-pesticide-residues-in-93-of-organic-swiss-farms/44878988) encontrou resíduos de agrotóxicos em níveis "assustadoramente" altos em **93% das fazendas orgânicas** analisadas no Planalto suíço, região densamente povoada que inclui partes do cantão de Vaud. (A maioria dos cantões de língua francesa, incluindo Vaud, aderiu à retomada da agricultura orgânica mais tarde do que os cantões de língua alemã e italiana.)

Quando o artigo foi escrito, estava prevista para 2020 uma votação popular, sem o apoio do governo, sobre uma iniciativa inédita para "proibir o uso de todos os agrotóxicos sintéticos na agricultura suíça e a importação de alimentos ou rações para uso comercial produzidos com agrotóxicos".

### Os paradoxos da autossuficiência

A agricultura suíça tem outros paradoxos. Apesar da paisagem agrária encantadora e da regulamentação rígida das importações, o país está longe de ser autossuficiente em alimentos: suas importações de comida por habitante estão entre as mais altas do mundo.

E não se trata só de comida para gente. Apesar da evidente força na produção de leite e de carne, a Suíça importa grandes quantidades de ração animal, especialmente soja: cerca de **1,2 milhão de toneladas por ano**. Pesquisadores agrícolas do governo afirmam que o país " [poderia ser autossuficiente em caso de emergência](https://www.swissinfo.ch/eng/politics/fact-check_does-switzerland-produce-half-of-all-the-food-it-needs/44380058) ", mas só se os cidadãos abrissem mão da carne de porco, das aves e dos ovos em troca de "mais produtos de panificação e batatas".

Para a autora, a propaganda das mudanças climáticas e o fanatismo vegano já parecem avançar nessa direção: em uma pesquisa de 2019, 14% da população declarou não comer carne, e outros 17% se disseram "flexitarianos", que procuram ser "conscientes do seu consumo de carne".

### A democracia direta chega à mesa

Uma parcela considerável dos suíços, aparentemente insatisfeita com a situação, está levando as questões agrícolas às urnas. "Campeã mundial indiscutível" da [democracia direta](https://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia_direta), a Suíça realizou **mais de um terço de todos os referendos nacionais já feitos no mundo**.

Muitos referendos recentes trataram de agricultura, com resultados um tanto contraditórios. Em 2017, os eleitores aprovaram por ampla maioria uma emenda à Constituição para "definir melhor o tipo de agricultura que o povo suíço gostaria de ver mais: local e sustentável". Já em 2018, uma iniciativa de soberania alimentar que tratava de questões semelhantes, como "a redução do número de fazendas, a pressão da concorrência internacional sobre os agricultores [e] o poder das grandes empresas agroalimentares", foi [derrotada nas urnas](https://www.thelocal.com/20180923/swiss-reject-agriculture-schemes-in-national-vote/).

### A fatia de quem vende direto

Em 2018, mais da metade dos consumidores suíços (56%) comprava produtos orgânicos todos os dias ou várias vezes por semana, e as vendas de orgânicos cresceram 13,3% em relação ao ano anterior. Embora as duas grandes redes de supermercados do país, a Coop e a Migros, concentrassem 75% desse mercado, **os vendedores que atendem direto o consumidor, como Baptiste e o Le Pain Holistique, conquistaram 5,2%**.

A esperança é que essa fatia cresça à medida que mais suíços experimentem a diferença palpável que separa a produção artesanal tanto da agricultura convencional quanto do "grande orgânico". No Brasil, é esse o caminho que o [mapa de produtores](https://nuecru.com.br/produtores) da Nu&Cru procura facilitar: comprar direto de quem produz.

## A história do pão de fermentação natural

O pão de fermentação natural é feito pela ação de [bactérias produtoras de ácido láctico](https://nuecru.com.br/blog/lactofermentacao) e de leveduras selvagens, sem nenhum fermento comercial.

Ao contar essa história, o site [Sourdough.co.uk](https://www.sourdough.co.uk/the-history-of-sourdough-bread/) lembra que as leveduras selvagens são usadas no mundo inteiro, em preparações tão enraizadas na cultura e na história que **existiam antes de qualquer forma de escrita**. Até o surgimento dos fermentos comerciais, todo pão levedado era feito com leveduras naturais. Ou seja: **todo pão era de fermentação natural**, com seu crescimento mais lento.

Uma das explicações para a importância do pão ázimo (sem fermento) na fé judaica é justamente essa: na saída do Egito, não houve tempo de deixar a massa crescer durante a noite. Do Egito, a panificação chegou à Grécia antiga, onde o pão era um artigo de luxo, feito primeiro em casa pelas mulheres e, mais tarde, em padarias. Os gregos tinham mais de setenta tipos de pão, salgados e doces, feitos com vários grãos.

Os romanos aprenderam a arte com os gregos e aperfeiçoaram a sova e o forno. A importância do pão na dieta romana aparece no lamento do poeta Juvenal de que tudo o que o povo queria era pão e circo (panem et circenses).

Receitas francesas do século XVII mandavam alimentar o fermento três vezes antes de juntá-lo à massa, o que leva o site a comentar que "os franceses estavam obviamente muito mais interessados em um pão saboroso do que em facilitar a vida do padeiro". Com a chegada dos fermentos comerciais, no século XIX, a velocidade e a padronização da produção venceram o sabor e o caráter artesanal do pão de fermentação natural.

Quem quiser retomar essa tradição em casa encontra o passo a passo do fermento em [How to Create a Sourdough Starter](https://www.westonaprice.org/how-to-create-a-sourdough-starter/), da fundação, e receitas como a nossa [focaccia de einkorn](https://nuecru.com.br/receitas/focaccia-de-einkorn) e a [pizza de fermentação natural](https://nuecru.com.br/receitas/pizza-de-fermentacao-natural).

## Leia também

### Na Nu&Cru

- [Lactofermentação: o que é e como fazer](https://nuecru.com.br/blog/lactofermentacao)

- [Weston A. Price: o que os povos tradicionais podem nos ensinar sobre alimentação](https://nuecru.com.br/blog/weston-a-price-o-que-os-povos-tradicionais-podem-nos-ensinar-sobre-alimentacao)

- [Mingau de aveia: como deixar mais nutritivo](https://nuecru.com.br/blog/aveia-de-molho)

- [Chucrute: benefícios e como fazer em casa](https://nuecru.com.br/blog/chucrute)

- Pães de fermentação natural: [levain de einkorn](https://nuecru.com.br/receitas/levain-de-einkorn), [pão de fermentação natural com trigo einkorn](https://nuecru.com.br/receitas/pao-de-fermentacao-natural-com-trigo-einkorn) e [pão de fermentação natural com ovos e bacon](https://nuecru.com.br/receitas/pao-de-fermentacao-natural-com-ovos-e-bacon)

- [181 Receitas Ancestrais](https://nuecru.com.br/receitas-ancestrais), o livro de receitas da Nu&Cru

### Na Weston A. Price Foundation (em inglês)

- [A Visit to Switzerland's Loetschental in the Footsteps of Weston A. Price](https://www.westonaprice.org/health-topics/in-his-footsteps/a-visit-to-switzerlands-loetschental-in-the-footsteps-of-weston-a-price/)

- [Sourdough Rye Bread](https://www.westonaprice.org/health-topics/food-features/sourdough-rye-bread/)

- [Whole Grain Einkorn Sourdough](https://www.westonaprice.org/health-topics/whole-grain-einkorn-sourdough/)

- [Be Kind to Your Grains... and Your Grains Will Be Kind to You](https://www.westonaprice.org/health-topics/food-features/be-kind-to-your-grains-and-your-grains-will-be-kind-to-you/)

## Referências

- **Bread**. About Switzerland, Departamento Federal de Relações Exteriores da Suíça (eda.admin.ch).

- [The history of sourdough bread](https://www.sourdough.co.uk/the-history-of-sourdough-bread/). Sourdough.co.uk.

- [Is Switzerland the ultimate land of bread?](https://www.newlyswissed.com/switzerland-land-of-bread/) Newly Swissed, 14 de junho de 2012.

- Atchley C. **Three bread trends shaping American diets**. World-Grain.com, 21 de setembro de 2017.

- Tristano D. **Growth in upscale doughnut chains becoming a little "strange"**. Forbes, 10 de abril de 2018.

- **Maison du Blé et du Pain** (maison-ble-pain.com).

- **Swiss Open-Air Museum Ballenberg**. Folheto Korn und Brot (ballenberg.ch).

- **Swiss bread recipe: Bütschella, a sweet roll from Graubünden**. Cuisine Helvetica, 11 de abril de 2018.

- [Are you healthier than a 1930's primitive Swiss villager?](https://behealthynow.wordpress.com/2012/02/29/are-you-healthier-than/) Be Healthy Now!, 29 de fevereiro de 2012.

- [Visit to the magic valley of Lötschental](https://www.britishresidents.ch/visit-magic-valley-lotschental/). British Residents' Association of Switzerland.

- [Traditional Valais rye bread](https://www.fondazioneslowfood.com/en/slow-food-presidia/traditional-valais-rye-bread/). Slow Food Foundation for Biodiversity.

- [Valais, birthplace of the AOP Valais rye bread](https://www.valais.ch/en/taste/valais-specialties/rye-bread). Valais.ch.

- **Valais rye bread AOP: the real thing**. MySwitzerland.com.

- [AOP and IGP: quality labels with character](https://www.cheesesfromswitzerland.com/en/cheeses-from-switzerland/labels-quality-marks/aop-und-igp). Cheeses from Switzerland.

- **Rye bread from the Swiss Valais: pain de seigle valaisan or walliser roggenbrot**. The Fresh Loaf.

- **Sourdough bread**. ScienceDirect Topics.

- **L'agriculture en terre vaudoise 2016**. AGIR (agirinfo.com).

- **Bio Suisse's roots**. Bio Suisse.

- [FiBL Switzerland: 40 years of organic farming research](https://www.fibl.org/en/locations/switzerland). FiBL.

- **Three Swiss farms close a day**. SWI swissinfo.ch, 11 de maio de 2017.

- [The unseen environmental cost of Swiss farming](https://lenews.ch/2015/03/02/the-unseen-environmental-cost-of-swiss-farming/). Le News, 2 de março de 2015.

- [Swiss organic farming continues to grow but with big cantonal differences](https://lenews.ch/2018/05/09/swiss-organic-farming-continues-to-grow-but-with-big-cantonal-differences/). Le News, 5 de setembro de 2018.

- Bio Suisse. **Organic sector in numbers 2018**, figura 1.

- [Excessive levels of pesticides found in small streams](https://www.swissinfo.ch/eng/dirty-water_excessive-levels-of-pesticides-found-in-small-streams/44868158). SWI swissinfo.ch, 2 de abril de 2019.

- [Swiss government raises allowable limits for pesticide residues in waterways](https://lenews.ch/2018/03/27/swiss-government-raises-allowable-limits-for-pesticides-residues-in-waterways/). Le News, 27 de março de 2018.

- [Pesticide residues found on 93% of organic Swiss farms](https://www.swissinfo.ch/eng/archive-banking-fintech/banned-substances_study-finds-pesticide-residues-in-93-of-organic-swiss-farms/44878988). SWI swissinfo.ch, 7 de abril de 2019.

- [Government rejects vote to ban synthetic pesticides in Switzerland](https://lenews.ch/2019/06/26/government-rejects-vote-to-ban-synthetic-pesticides-in-switzerland/). Le News, 26 de junho de 2019.

- Bio Suisse. **Organic sector in numbers 2018**, figura 7.

- Bondolfi S. [Does Switzerland produce half of all the food it needs?](https://www.swissinfo.ch/eng/politics/fact-check_does-switzerland-produce-half-of-all-the-food-it-needs/44380058) SWI swissinfo.ch, 11 de setembro de 2018.

- [Swiss to vote on banning factory farming](https://www.swissinfo.ch/eng/animal-rights_swiss-to-vote-on-banning-factory-farming/45233958). SWI swissinfo.ch, 17 de setembro de 2019.

- [2.6 million Swiss are reducing their meat consumption](https://www.livekindly.co/2-6-million-swiss-reducing-meat-consumption/). LIVEKINDLY.

- Kaufmann B. **The way to modern direct democracy in Switzerland**. House of Switzerland.

- Chandrasekhar A. [Swiss voters demonstrate appetite for food security](https://www.swissinfo.ch/eng/politics/food-security-on-swiss-voters-menu/43536412). SWI swissinfo.ch, 24 de setembro de 2017.

- Tognina A. [Radical change for Swiss agricultural policy goes to vote](https://www.swissinfo.ch/eng/business/vote-september-23-2018-_radical-change-for-swiss-agricultural-policy-goes-to-vote/44318910). SWI swissinfo.ch, 16 de agosto de 2018.

- [Swiss reject agriculture schemes in national vote](https://www.thelocal.com/20180923/swiss-reject-agriculture-schemes-in-national-vote/). The Local, 23 de setembro de 2018.

- Bio Suisse. **Organic sector in numbers 2018**, figuras 8 e 10.

- Bio Suisse. **Organic sector in numbers 2018**, figura 9.

Este artigo é uma adaptação de "Switzerland's Sourdough Breads: Revival of the Fittest?", de Merinda Teller, MPH, PhD, publicado na revista Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, da Weston A. Price Foundation, no inverno de 2019. [Leia o original em inglês](https://www.westonaprice.org/health-topics/switzerlands-sourdough-breads-revival-of-the-fittest/).

As informações têm caráter educativo e não substituem avaliação individual de profissional de saúde habilitado.

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