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description: "Quando começar a introdução alimentar e o que dar primeiro? Por que a Weston A. Price Foundation defende o desmame até os 6 meses, com gema e fígado."
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# Desmame: quando e como começar

Quando começar a introdução alimentar e o que dar primeiro? Por que a Weston A. Price Foundation defende o desmame até os 6 meses, com gema e fígado.

7 de outubro de 2026 · 34 min de leitura · Nu&Cru

Quando começar o desmame, isto é, a passagem gradual do leite para a comida sólida? Quais alimentos devem vir primeiro? O tal baby-led weaning, em que o próprio bebê se serve, é o melhor caminho? E, afinal, faz diferença o que o bebê come? A discussão sobre como alimentar um bebê que está crescendo toma conta da internet.

Nesses debates, muitas mães concordam com a frase "comida antes de um ano é só diversão". Mas as práticas dos povos não industrializados, apoiadas pela ciência moderna, mostram o contrário: **os primeiros meses são a fase da vida em que a alimentação certa mais importa**. Uma dieta densa em nutrientes nessa época determina o crescimento e o desenvolvimento nos primeiros anos e a saúde pelo resto da vida.

Este artigo é uma adaptação de um texto de [Sally Fallon Morell](https://en.wikipedia.org/wiki/Sally_Fallon), presidente da [Weston A. Price Foundation](https://www.westonaprice.org/) e mãe de quatro filhos.

## Quando começar o desmame?

As discussões na internet sobre alimentação infantil começam pela melhor época para introduzir os sólidos. A maioria das organizações médicas, entre elas a [Academia Americana de Pediatria](https://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_Americana_de_Pediatria) (AAP), a Organização Mundial da Saúde e a [Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica](https://www.espghan.org/), recomenda começar com a comida sólida **entre o quarto e o sexto mês**.

Todas concordam que sólidos antes dos quatro meses podem predispor o bebê a problemas gastrointestinais e alergias. E advertem que adiar a introdução para depois dos seis meses pode deixar o bebê sem todos os nutrientes de que precisa. **Essas recomendações sobre quando começar estão em total acordo com as da Weston A. Price Foundation.**

Bebês muito maduros, ou que crescem rápido, estarão prontos para alguma comida sólida aos quatro meses; bebês menores e menos maduros talvez só aos seis. Muitas mães percebem que, com a chegada dos purês, o bebê fica menos irritado, passa mais tempo entre as mamadas e dorme melhor à noite, um alívio enorme para a mãe, que também consegue dormir a noite toda e entrar numa rotina melhor.

É claro que a mãe pode e deve continuar amamentando, ou usando a fórmula de leite cru, pelo tempo que quiser. Alguns bebês gostam de mamar até os três ou quatro anos; outros perdem o interesse antes de completar um ano.

### "Só leite materno até depois de um ano"?

Nos debates online, muitas mães se opõem a qualquer comida sólida antes dos seis meses, e algumas defendem adiar os sólidos o máximo possível, ou seja, prolongar a amamentação exclusiva. Há quem diga que o bebê consegue tudo de que precisa só com o leite materno, mesmo depois de um ano.

Uma mãe, reconhecendo as pesquisas que mostram que depois dos seis meses o bebê precisa de mais ferro do que a mãe consegue fornecer, e que os minerais do leite materno caem com o tempo, sugeriu resolver o problema deixando o bebê conseguir os minerais **brincando na terra**! Outras citam a "falta de interesse pela comida" dos filhos, muitas vezes contando quão pouca comida chega à boca do bebê quando praticam o baby-led weaning (mais sobre isso adiante).

## O que fazem os povos tradicionais

Em questões tão importantes, o primeiro passo da fundação é olhar para as práticas dos povos tradicionais e depois verificar se elas batem com o que diz a ciência moderna. Neste tema, dois estudos trazem informações valiosas.

O primeiro é um levantamento de 1983 sobre as práticas de parto e amamentação em **186 culturas não industrializadas**. O foco principal eram as tradições de vínculo entre mãe e bebê, mas os autores também olharam para a alimentação, e se surpreenderam ao descobrir que [a maioria das culturas começava o desmame aos seis meses ou antes](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6354797/):

- em um terço das culturas, os sólidos entravam **antes de um mês de vida**;

- em outro terço, entre um e seis meses;

- só no terço restante a comida sólida ficava para depois dos seis meses.

Um levantamento mais recente, de 2001, analisou a alimentação infantil em [113 populações não industrializadas](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11584094/) do mundo todo. Mais da metade das culturas introduzia sólidos antes dos seis meses, e **entre cinco e seis meses era o período mais comum**. A amamentação continuava por 10 a 29 meses.

### Comida sólida não é oposição à amamentação

Alguns comentários online tomam a defesa da fundação pelos sólidos até os seis meses como prova de que ela seria "contra" a amamentação. Nada mais longe da verdade, responde a autora: **os sólidos vêm somados ao leite materno** (ou à fórmula caseira, quando necessária), e essa combinação pode continuar por muitos meses.

É exatamente o que se vê no mundo animal. Os filhotes mamam com exclusividade só por pouco tempo (cerca de um mês, no caso de vacas e porcos) e depois se alimentam por um período bem mais longo com uma combinação de comida sólida e leite.

## Por que o ferro decide o momento

O principal motivo para introduzir a comida sólida até os seis meses é o **estoque de ferro do bebê**. O leite materno contém [lactoferrina](https://pt.wikipedia.org/wiki/Lactoferrina), que ajuda o bebê a absorver 100% do ferro do leite, mas a quantidade de ferro é geralmente baixa. Uma explicação é que, nos primeiros meses, o bebê precisa de mais zinco do que de ferro, e o leite materno é rico em zinco.

O bebê também deveria receber uma boa reserva de ferro pelo sangue do cordão umbilical, mas as hemácias se renovam normalmente a cada quatro meses. **Aos seis meses, a deficiência de ferro é uma possibilidade real no bebê alimentado só com leite materno.**

Na verdade, os níveis de minerais do leite materno começam a cair quase desde o nascimento e continuam caindo depois dos seis meses. Um estudo de 1984 mostrou [queda de zinco, cobre e potássio](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6502372/), e um estudo de 1990 com mães de Bangladesh documentou [a diminuição do zinco e do cobre](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/2317480/) ao longo do tempo.

### Adiar os sólidos evita alergias?

E o argumento de que adiar a comida sólida evita alergias? Uma revisão das pesquisas disponíveis concluiu que, quando o risco de alergia é uma preocupação central, [introduzir os sólidos entre quatro e seis meses](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19685855/) pode resultar no menor risco. Nas palavras dos autores da revisão, levando em conta todos os aspectos da saúde, a duração recomendada da amamentação exclusiva e a idade de introdução dos sólidos foram confirmadas em seis meses, **"mas não mais tarde"**.

### E o intestino permeável?

Outro argumento diz que o intestino do bebê é permeável demais para a comida sólida aos quatro meses, ou até bem depois. A fundação pediu a opinião da médica Natasha Campbell-McBride, criadora do protocolo [GAPS](https://www.westonaprice.org/health-topics/gut-and-psychology-syndrome-gaps/) e uma das maiores especialistas do mundo em permeabilidade intestinal. A resposta dela:

A maioria dos bebês está pronta para o desmame aos seis meses, mas muitos ficam prontos antes: começam a sentir fome porque não recebem o suficiente do leite da mãe. Acrescentar fórmula para esses bebês não é uma boa ideia; é muito melhor começar a acrescentar comida de verdade, mas sem grãos, feijões ou outros vegetais amiláceos e difíceis de digerir. Devem ser introduzidos alimentos de origem animal (caldo de carne, carnes, peixe, ovos e laticínios crus fermentados, de leite adequado), além de legumes cozidos e alguns sucos de verduras e frutas cruas espremidos na hora. Aos poucos! A parede intestinal dos bebês é permeável por um motivo: ela precisa desenvolver tolerância oral a uma infinidade de antígenos do ambiente. Introduzir alimentos nessa fase garante que a criança desenvolva tolerância e consiga comer alimentos naturais sem reagir com alergias.

A autora ressalva que não tem certeza de concordar quanto aos sucos, mas que em todo o resto a doutora Campbell-McBride e a fundação estão de acordo.

### "Comida antes de um ano é só diversão"?

De volta à frase do começo. **Em nenhuma outra idade o bebê cresce tão rápido, e forma tantas conexões no cérebro, quanto do nascimento até um ano.** Não é hora de ser displicente com a alimentação, porque a comida antes de um ano importa, e muito. Segundo a autora, o jeito como você alimenta o bebê (quando, o quê e como) vai fazer toda a diferença na saúde, na aparência e na inteligência dele no futuro.

## Os maus conselhos sobre o que dar ao bebê

Tanto a tradição quanto a ciência deixam claro que o bebê deve receber comida sólida até os seis meses, e nisso a fundação concorda inteiramente com as recomendações oficiais. Já sobre **o que** dar ao bebê, a discordância é quase total.

Para a autora, o que circula como conselho sobre alimentação infantil em livros e na internet não é só confuso e contraditório, mas lamentavelmente insuficiente. **A maioria dos profissionais de saúde, segundo ela, não tem a menor ideia de como nutrir um bebê nesse primeiro ano crucial.**

### O que diz a Academia Americana de Pediatria

Seria de esperar que a AAP tivesse os conselhos mais precisos e detalhados sobre como alimentar o bebê. A recomendação: introduzir os sólidos por volta dos seis meses, expor o bebê a uma grande variedade de alimentos saudáveis e oferecer texturas variadas. Sugestões que, para dizer o mínimo, não ajudam muito.

Uma recomendação mais antiga da AAP, que durou muitos anos, era dar **cereal de arroz enriquecido com ferro**como primeiro alimento. As críticas generalizadas a começar a vida do bebê com carboidrato puro, somadas ao escândalo recente do arsênio, que encontrou níveis altos desse elemento no arroz convencional, fizeram a AAP recuar desse dogma. Hoje, quem procura bastante no site da academia encontra uma recomendação relutante de**carne vermelha como fonte de ferro** para o bebê.

A autora lembra ainda que, anos atrás, a AAP se recusava a recomendar a fórmula infantil de soja, por causa de relatos de lesões intestinais graves e problemas de tireoide em bebês alimentados com ela. Mas, quando construiu sua nova sede, a organização aceitou uma grande contribuição da indústria de fórmulas, e as objeções à fórmula de soja desapareceram.

### As papinhas do supermercado

A maioria das mães, porém, não consulta a AAP na hora de dar comida sólida ao bebê: vai ao supermercado. Lá encontra principalmente purês de frutas e legumes, além de misturas estranhas como quinoa com ervilha. A carne pura em purê vem com um "molho" de água e amido de milho. Antigamente era possível comprar purê de fígado ou de gema para o bebê, mas hoje não mais.

Pior ainda: as mães cuidadosas dificilmente encontram muitas opções em vidro. Boa parte da papinha de hoje vem em plástico (para o bebê conhecer os ftalatos bem cedo, ironiza a autora) ou em embalagens assépticas revestidas de alumínio e aquecidas rapidamente a 146 °C. E, sim, o alumínio migra para a comida quando aquecido a temperaturas tão altas, especialmente nos alimentos ácidos, como o purê de maçã.

### O prato do governo americano

E as diretrizes alimentares do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que criou o [MyPlate](https://en.wikipedia.org/wiki/MyPlate)? O livro MyPlate for Moms, que traduz essas diretrizes para as mães, recomenda para os bebês:

- carne magra ou tofu;

- ovo de vez em quando;

- queijo de vez em quando;

- frutas e legumes;

- grãos integrais e cereais matinais secos;

- leite com baixo teor de gordura;

- cremes vegetais com pouca gordura trans;

- menos sal.

É uma dieta basicamente vegetal, com a maior parte das calorias vindo de frutas e legumes. **O bebê não recebe manteiga nem nenhuma outra gordura animal, e não há nenhuma menção a vísceras.** Ele recebe um pouco de gordura da carne magra e do ovo e do queijo ocasionais, mas, se a mãe optar pelo tofu em vez da carne, até essas fontes somem.

### Um livro que a fundação se recusou a endossar

A fundação foi convidada a endossar o livro What to Feed Your Baby, da pediatra Tanya Altmann, que se apresenta como porta-voz da AAP. Segundo a contracapa, a autora traz "as recomendações nutricionais mais recentes" para alimentar bebês e crianças pequenas. Essas recomendações sugerem onze alimentos fundamentais para o bebê:

- ovos;

- ameixa-preta;

- abacate;

- peixe;

- iogurte, queijo e leite (leite de soja, se houver alergia ao leite de vaca);

- castanhas;

- frango ou feijão;

- frutas;

- verduras e legumes verdes;

- grãos integrais;

- água.

O livro também aconselha os pais a não dar sal ao bebê. Não há manteiga nem outras gorduras animais, nem carne vermelha, nem vísceras. Depois dos dois anos, a criança passa ao leite semidesnatado ou desnatado, mas recebe muitos grãos integrais grosseiros, que podem incluir biscoitos de arroz, cereais matinais "multigrãos" e até granola, **alimentos que, segundo a autora, o bebê não consegue digerir**. Nem é preciso dizer que a fundação não endossou o livro.

No geral, parece que as frutas e os legumes tomaram o lugar do cereal de arroz como primeiros alimentos do bebê, como mostra uma imagem que circula pela internet, na qual massa, queijo, tofu e pão torrado (por que torrado?) aparecem como "ideias para depois". Essas orientações permitem pequenas quantidades de alimentos de origem animal, mas dizem que não há problema em trocá-los por tofu. Em todas as versões das diretrizes convencionais, inclusive a da doutora Altmann, e nas papinhas do supermercado, **as gorduras animais estão ausentes, e ninguém parece entender o conceito de densidade de nutrientes** para o bebê.

## Baby-led weaning: o que há de errado, segundo a autora

Recentemente, conta a autora, ela visitou uma loja da rede Whole Foods em Washington e subiu ao café para almoçar (queijo e patê caseiro) antes das compras. Na mesa ao lado sentou-se uma mulher com um bebê de uns oito meses. Ela comeu uma refeição comprada na delicatéssen. E o que o bebê ganhou no cadeirão? Alguns pedaços de pimentão verde e pepino na bandeja. Quando foram embora, as fatias de legumes estavam espalhadas pelo chão, sem nenhum sinal de que o bebê tivesse comido grande coisa.

Provavelmente essa mãe seguia as sugestões de Baby-Led Weaning, um livro campeão de vendas sobre como alimentar bebês. A divulgação apresenta a abordagem como "o método natural, sem complicação e sem purê, para começar os sólidos" e promete derrubar o "mito" de que os bebês precisam ser alimentados de colher: com o BLW, você pularia os purês e faria a transição seguindo os sinais do bebê.

### A premissa do método

A premissa do [baby-led weaning](https://en.wikipedia.org/wiki/Baby-led_weaning) é que a mãe não precisa passar nenhum tempo na cozinha fazendo purês para o filho de seis meses, porque o bebê pode ser plenamente nutrido com pedaços de comida como brócolis e biscoitos de arroz. A ideia é colocar "uma variedade de alimentos na frente do bebê, e ele saberá o que comer".

Além disso, segundo os autores do livro, os bebês precisam desse treino para aprender a pôr as coisas na boca sem ser alimentados de colher. Os bebês precisam comer com a família à mesa, e o BLW seria o jeito de conseguir isso. E, ironiza a autora, os bebês poderiam ficar traumatizados se você pusesse uma colher na boca deles. Mãe de quatro filhos que cresceram muito bem depois de uma infância de purês, ela se pergunta de onde vem essa aversão tão arraigada à papinha e à colher no começo.

Segundo o livro, a alimentação inicial do bebê deveria ser algo como palitos de cenoura e pedaços de alface. A pergunta da autora: **quanto alimento o bebê recebe de palitos de cenoura e folhas de alface? Quanto disso chega de fato ao estômago? E o risco de engasgo?**

### As orientações do livro

Para a autora, há muita coisa errada no livro, a começar pelas próprias orientações alimentares:

- entre os primeiros alimentos sugeridos estão cenoura crua, brócolis cru e uma tira de carne, e o bebê ainda não tem molares (até adultos às vezes têm dificuldade para mastigar uma tira de carne);

- o bebê recebe laticínios integrais, mas não manteiga; no lugar dela, vêm as "gorduras saudáveis", como óleos vegetais, peixes gordos e azeite;

- o sal faz mal aos bebês, insistem os autores;

- o bebê recebe grãos integrais, como bolachas de aveia, biscoitos de arroz e cereal matinal seco (o arroz tufado é especialmente recomendado);

- massa e pizza estão liberadas, afinal são ótimas para comer com a mão;

- o micro-ondas também está liberado.

O segredo é a mãe colocar alguns desses itens na bandeja, e o bebê "diz" a ela o que vai comer. Quando aprender a falar, poderá ditar todas as suas escolhas. Não se surpreenda, brinca a autora, se ele quiser comer só pizza.

## O estudo de Clara Davis, relido

Para justificar o método, os defensores do BLW citam um estudo sobre alimentação de bebês feito em 1926 por Clara Davis, no [Hospital Mount Sinai de Cleveland](https://en.wikipedia.org/wiki/Mount_Sinai_Hospital_%28Cleveland%29). Davis alimentou um grupo de órfãos colocando todos os dias uma variedade de alimentos diante deles, e descreveu os resultados em [um artigo de 1939](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20321464/).

A primeira coisa a notar, diz a autora, é **a escolha de alimentos que Davis considerava importantes para os bebês**. A lista de 34 opções incluía:

- água, leite fresco (em 1926, isso queria dizer leite integral cru), leite azedo (lático) e sal marinho;

- frutas: maçã, banana, suco de laranja, abacaxi fresco, pêssego e tomate;

- legumes e verduras: beterraba, cenoura, ervilha, nabo, couve-flor, repolho, espinafre, batata e alface;

- grãos: aveia, trigo, fubá, cevada e uma torrada sueca de centeio;

- carnes e vísceras: carne bovina, cordeiro, frango, [tutano](https://nuecru.com.br/blog/tutano-beneficios), geleia de ossos, timo (as chamadas molejas), miolo, fígado, rim e peixe (hadoque).

Repare em todas as vísceras e na geleia de ossos de cordeiro! E, para completar, os bebês podiam mergulhar os dedos numa tigela de sal marinho. **O mais importante: Davis não dava aos bebês nenhum alimento com açúcar ou farinha branca.**

### Os bebês sabiam o que comer?

Os bebês se deram bem: cresceram fortes e tinham bochechas rosadas. Isso significa que sabiam o que deviam comer? Não, responde a autora. Significa que **Clara Davis sabia o que os bebês deviam comer**, e muito, muito melhor do que as mães modernas que largam fatias de pimentão verde na bandeja do cadeirão.

Comentaristas afirmam que o estudo de Davis mostra que "todos os bebês acabaram comendo uma dieta equilibrada". Os bebês se deram bem, sem dúvida, mas como saber se todos tiveram uma dieta equilibrada? Mediram os nutrientes dos alimentos? Os bebês foram acompanhados até a idade adulta? Fizeram exames de sangue para medir vitaminas e minerais?

Os bebês de Davis desenvolveram gostos bem definidos. Um deles comeu cerca de 900 g de laranja num só dia, o que a autora dificilmente chamaria de "dieta equilibrada". Se tivesse um filho que só quisesse comer laranja, ela não o deixaria decidir, e faria o possível para direcioná-lo a outros alimentos.

### O detalhe que muda tudo

O ponto-chave, porém, é este: **no estudo de Davis, a comida era amassada, moída ou picada bem fino, e não crua e em pedaços grandes.** Os bebês recebiam cerca de dez alimentos por vez, em tigelinhas ou copos para os quais podiam apontar. E, quando indicavam o que queriam, as enfermeiras os alimentavam com colher. Os bebês também comiam com os dedos. Para a autora, os adeptos do BLW distorceram o estudo de Davis para justificar brócolis e cenoura crus como primeiros alimentos!

Outra falha: a capa de Baby-Led Weaning promete "sem purês, sem estresse, sem complicação", mas as mães são avisadas de que devem "esperar bagunça". A maternidade já é difícil o bastante sem ter de limpar uma sujeira dessas três ou quatro vezes por dia. **Fazer purês para o bebê é uma atividade alegre e tranquila**, diz a autora; limpar uma bagunça horrorosa a cada refeição, sim, é estressante.

## Como fazer o desmame guiado pelos pais

É fácil dar purê ao bebê, mesmo antes de ele conseguir ficar sentado. Coloque um babador e prenda-o numa cadeirinha (depois, ele pode passar para o cadeirão). **O purê deve ser ralo e fácil de engolir**: a comida pode engrossar à medida que o bebê cresce, mas os primeiros purês devem ser meio aguados.

No começo, o bebê vai empurrar um pouco da comida para fora com a língua (é o chamado reflexo de protrusão da língua). Na verdade, na primeira vez ele vai empurrar quase tudo para fora. Tenha paciência e continue colocando a comida de volta na boca dele, que logo ele pega o jeito. (Nas primeiras tentativas, você também pode deixá-lo lamber a comida do seu dedo.) **O bebê empurrar a comida não quer dizer que "não está pronto para os sólidos" ou que "não está com fome"**, como dizem algumas mães. Quer dizer apenas que ele ainda está aprendendo a comer.

Enquanto dá a comida, converse com ele e dê risada. O bebê não vai ficar traumatizado. No começo, ele pode parecer surpreso, mas logo vai balbuciar e chutar as perninhas de alegria. Em vez de deixar a criança sozinha com alguns objetos comestíveis na bandeja, você pode fazer da refeição um momento de verdadeira interação: você olha para ele, conversa com ele, ri com ele. **Esse é o treino certo para as refeições em família: associar a comida a um convívio agradável.** E, por fim, nada de bagunça, nada de comida grudada no cadeirão, no chão e no bebê.

### O bebê nas refeições da família

É preciso praticar o BLW para o bebê participar das refeições da família? De jeito nenhum, responde a autora. Aliás, muitos membros da família não achariam nada agradável comer ao lado de um bebê fazendo uma sujeira terrível com a comida.

Em vez disso, **dê o purê ao bebê antes da refeição da família**, para que ele esteja bem alimentado, satisfeito e tranquilo. Depois, na hora da refeição, coloque alguns pedacinhos de banana ou queijo na bandeja, algo nutritivo mas que não faça muita sujeira, e deixe-o brincar enquanto o resto da família come. Se ele estiver na fase dos dentes, dê um osso para roer: ossos são ótimos para a dentição, mas definitivamente não são fonte de alimento nessa idade. À medida que ele cresce, você pode começar a dar um pouco da comida da família, como sopa ou ensopados bem picadinhos, de colher, até que ele aprenda a comer sozinho.

### Quem decide o que o bebê come são os pais

São muitas as desvantagens do BLW, enumera a autora: desnutrição, desperdício, risco de engasgo, bagunça e refeições em família horríveis. Mas a mais grave talvez seja que esse jeito de alimentar **finge colocar o bebê no comando do que ele come**.

Pai e mãe precisam estar no comando. O bebê não sabe o que comer; só pais sábios sabem o que e como alimentar o bebê. A própria Davis concluiu que a escolha dos alimentos das crianças pequenas deve ficar "nas mãos dos mais velhos, onde todo mundo sempre soube que ela deve estar".

Se você puser um biscoito doce na bandeja, o bebê vai comê-lo, mesmo sendo uma péssima escolha. É claro que, se ele demonstrar uma aversão real a algo que você oferece (vomitando, por exemplo), será preciso encontrar um substituto, igualmente nutritivo.

O precedente de que os pais decidem o que o bebê come precisa ser estabelecido desde o início. **Dê ao bebê muita liberdade para brincar, se desenvolver e explorar sozinho, mas assuma o comando total da alimentação dele**: sua boa saúde e seu desenvolvimento dependem disso.

### Como fazer papinha sem complicação

Acha intimidante fazer purês? Não é difícil, e há muitos utensílios para isso. A autora resume assim:

- Cozinhe a comida do bebê delicadamente em água ou [caldo de ossos](https://nuecru.com.br/receitas/caldo-de-ossos).

- Escorra o líquido e bata, acrescentando o líquido do cozimento conforme necessário.

- Misture manteiga ou creme de leite e sal.

- Congele as sobras em fôrmas de gelo de metal, que rendem porções individuais fáceis de tirar e descongelar no vapor.

Evite aparelhos que cozinham a comida do bebê no vapor dentro do plástico. A preferida da autora é o antigo passa-legumes, mas um mini mixer de mão ou um mini processador também resolvem. E fazer as papinhas em casa cria o hábito de preparar toda a comida da família à medida que o bebê cresce.

## O que dar ao bebê: os nutrientes do primeiro ano

Em nenhum outro momento da vida o bebê vai crescer tão rápido ou formar tantas células cerebrais quanto no primeiro ano, e esse crescimento exige nutrição abundante.

No primeiro ano, o bebê está programado para criar **700 novas conexões neurais por segundo**, e o [cerebelo](https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerebelo) triplica de tamanho, acompanhando o rápido desenvolvimento da coordenação motora dessa fase. A visão completa se desenvolve no primeiro ano, e os circuitos da linguagem nos lobos frontal e temporal se consolidam.

Nos primeiros anos da infância, o número de conexões nervosas no cérebro chega a mil trilhões, o dobro do que o bebê tinha ao nascer. A [mielina](https://pt.wikipedia.org/wiki/Bainha_de_mielina), material isolante que envolve esses nervos, fica reduzida em crianças desnutridas, porque elas produzem menos das células que fabricam mielina, o que pode resultar em cérebros menores.

### Colesterol e colina

Do que o bebê precisa para produzir mielina? Antes de tudo, de **colesterol**! Não há colesterol no cereal de arroz nem nos legumes, e, segundo a autora, nessa idade o bebê ainda não consegue fabricar o próprio colesterol: ele precisa vir da dieta.

O bebê também precisa de muita [colina](https://pt.wikipedia.org/wiki/Colina_%28vitamina%29), outro nutriente ausente nas papinhas comuns. O bebê passa por janelas de oportunidade em que as conexões cerebrais podem ser feitas, e sem colina essas conexões não acontecem. Consumir colina depois não adianta: **ela precisa estar disponível nas janelas certas**.

### Ferro, gordura e vitaminas lipossolúveis

A deficiência de ferro em crianças de um a dois anos foi associada a problemas de aprendizagem e de comportamento, inclusive problemas cognitivos irreversíveis. A gordura também é crucial nessa idade, porque é necessária para o ritmo acelerado de formação de mielina. As gorduras transportam as vitaminas lipossolúveis A, D e [K2](https://pt.wikipedia.org/wiki/Vitamina_K2), essenciais para o desenvolvimento neurológico. E o bebê não consegue absorver ferro sem vitamina A.

Por isso, segundo a autora, para o melhor desenvolvimento do cérebro, **pelo menos 50% das calorias totais da criança devem vir da gordura, principalmente gordura animal**.

A densidade óssea se estabelece no primeiro ano de vida. Enquanto os ossos se formam e crescem, o bebê precisa de cálcio e fósforo de fácil absorção, mais vitaminas D, A e K2, além de vários outros cofatores. A vitamina B12 é essencial para todos esses processos, e não existe vitamina B12 nos alimentos vegetais. A vitamina B6 em abundância também é importante, e vem principalmente dos alimentos de origem animal.

### Tabela: maçã, cenoura ou fígado?

O artigo original compara os nutrientes de seis alimentos (por 100 g de maçã, cenoura, carne vermelha, moela, gema de ovo e fígado de frango, nesta ordem):

- **Fósforo:** maçã 6 mg; cenoura 31 mg; carne vermelha 140 mg; moela 148 mg; gema 390 mg; fígado de frango 299 mg.

- **Ferro:** maçã 0,1 mg; cenoura 0,6 mg; carne vermelha 3,3 mg; moela 2,5 mg; gema 2,7 mg; fígado de frango 9 mg.

- **Zinco:** maçã 0,05 mg; cenoura 0,3 mg; carne vermelha 4,4 mg; moela 2,7 mg; gema 2,3 mg; fígado de frango 2,5 mg.

- **Cobre:** maçã 0,04 mg; cenoura 0,08 mg; carne vermelha 0,2 mg; moela 0,04 mg; gema 0,08 mg; fígado de frango 0,4 mg.

- **Vitamina B2:** maçã 0,02 mg; cenoura 0,05 mg; carne vermelha 0,2 mg; moela 0,2 mg; gema 0,5 mg; fígado de frango 1,8 mg.

- **Vitamina B6:** maçã 0,03 mg; cenoura 0,1 mg; carne vermelha 0,07 mg; moela 0,1 mg; gema 0,4 mg; fígado de frango 0,72 mg.

- **Vitamina B12:** maçã e cenoura zero; carne vermelha 1,84 mcg; moela 1,2 mcg; gema 1,9 mcg; fígado de frango 16,6 mcg.

- **Vitamina C:** maçã 7 mg; cenoura 6 mg; carne vermelha zero; moela 3,7 mg; gema zero; fígado de frango 18 mg.

- **Vitamina A:** maçã e cenoura zero; carne vermelha 40 UI; moela 64 UI; gema 2.300 UI; fígado de frango 34.000 UI.

- **Vitamina D:** maçã e cenoura zero; carne vermelha 8 UI; moela sem dado; gema 1.400 UI; fígado de frango 370 UI.

- **Vitamina K:** maçã e cenoura zero; carne vermelha 2,5 mcg; moela sem dado; gema 35 mcg; fígado de frango 9,5 mcg.

- **Colina:** maçã 3 mg; cenoura 7 mg; carne vermelha 38 mg; moela 104 mg; gema 820 mg; fígado de frango 290 mg.

- **Colesterol:** maçã e cenoura zero; carne vermelha 78 mg; moela 537 mg; gema 1.085 mg; fígado de frango 631 mg.

## Primeiros alimentos do desmame: gema e fígado

Diante dessas necessidades, quais alimentos você escolheria para os primeiros alimentos do bebê? Para a autora, é óbvio: **os primeiros alimentos devem ser fígado e gema de ovo**, não só pela abundância de colesterol e colina, mas também pelos minerais, pelas vitaminas lipossolúveis e pelas vitaminas B12 e B6. O porquê de o [fígado ser tão nutritivo](https://nuecru.com.br/blog/beneficios-do-figado) está em outro artigo do blog.

Para variar, carne vermelha e moela também são boas opções, mas **nada se compara à gema e ao fígado de frango em densidade de nutrientes**. Comece a oferecê-los entre os quatro e os seis meses, conforme a maturidade do bebê. O [Guia da Introdução Alimentar Ancestral](https://nuecru.com.br/introducao/guia) da Nu&Cru traz a gema e o fígado já na primeira fase.

O [óleo de fígado de bacalhau](https://www.westonaprice.org/health-topics/cod-liver-oil/cod-liver-oil-basics-and-recommendations/) natural, fonte de vitaminas A e D, pode entrar ainda mais cedo, a partir dos três meses. É fácil dá-lo com uma seringa ou um conta-gotas.

### E o cálcio?

Nenhum desses alimentos é uma fonte importante de cálcio, mas lembre-se de que o bebê continua mamando ou recebendo a fórmula de leite cru. **O leite cru (humano ou não) fornece cálcio, fósforo e muitos minerais em abundância** (a exceção é o ferro), além de uma infinidade de compostos que fortalecem o sistema imunológico, reforçam a parede intestinal e protegem contra patógenos. E, segundo a autora, o leite cru é uma fonte importante de vitamina C para a criança.

### Como preparar a gema do bebê

Cozinhe um ovo inteiro, de preferência de galinha criada a pasto, por **três minutos e meio**. Descasque e descarte a clara. Acrescente uma pitada de sal à gema, que ainda estará mole.

Comece com apenas meia colher de chá (ou deixe o bebê lamber a gema do seu dedo) e vá aumentando aos poucos. Um jeito ainda mais fácil é mergulhar o dedo na gema mole do seu próprio [ovo frito](https://nuecru.com.br/receitas/ovos-com-bacon) e deixar o bebê lamber; depois, passe para a colher.

Se o bebê não se adaptar à gema ou tiver uma reação alérgica, espere uma ou duas semanas e tente de novo. Algumas mães perceberam que o bebê não tolera a gema sozinha, mas aceita bem **a gema misturada com purê de fígado**.

### Fígado, carnes e o resto do cardápio

O primeiro purê de fígado do bebê deve ser bem ralo e levar sal. Também dá para misturar um pouco de [manteiga](https://nuecru.com.br/blog/manteiga-faz-mal) ou creme de leite. Para o resto da família, vale a nossa receita de [patê de fígado](https://nuecru.com.br/receitas/pate-de-figado).

Depois que o bebê se acostumar com a gema e o fígado, você pode acrescentar outros alimentos, como purê de carne vermelha, de peixe, de carne escura de frango e purês de frutas e legumes com creme de leite ou manteiga. Bata as carnes com água, caldo de ossos, leite cru ou creme de leite, e **sempre com gordura extra, especialmente manteiga**. Introduza um alimento novo de cada vez e observe possíveis reações alérgicas.

À medida que amadurece, o bebê também pode receber comidinhas para pegar com a mão, cortadas em pedacinhos, como banana e queijo. Ovas de salmão são ótimas para comer com a mão, assim como anchovas secas. E, para um verdadeiro mimo, dê ao bebê pedacinhos de bacon natural, como explica o artigo [Bacon faz mal? Como escolher o verdadeiro](https://nuecru.com.br/blog/bacon-faz-mal).

## Bebê pode comer sal?

Outro alimento crucial para o bebê é o **sal**. O sal fornece o cloro para a produção de [ácido clorídrico](https://pt.wikipedia.org/wiki/Ácido_clorídrico) no estômago: sem sal, o bebê terá dificuldade para digerir as carnes que você oferece. E o sódio do sal é essencial para o desenvolvimento do cérebro.

Os fabricantes de fórmula aprenderam essa lição do jeito mais difícil, conta a autora, quando lançaram uma fórmula de soja pobre em cloreto e em sódio chamada Neo-Mul-Soy. Os bebês alimentados com ela tiveram um desenvolvimento intelectual muito atrasado em comparação com os que tomavam a fórmula de soja comum e, depois de vários processos judiciais, o produto foi retirado do mercado.

Mesmo assim, pouquíssimas papinhas levam sal, e quase todos os livros sobre alimentação de bebês afirmam que eles não devem consumir sal. Uma vergonha, para a autora! **Ponha sal em todos os purês e na gema do bebê**, e consuma bastante sal enquanto estiver amamentando, de preferência sal não refinado, que fornece magnésio e minerais-traço em quantidade adequada. A fundação aprofunda o tema em [The Salt of the Earth](https://www.westonaprice.org/health-topics/abcs-of-nutrition/the-salt-of-the-earth/).

## Frutas, legumes, grãos e clara: quando entram

No começo, frutas e legumes devem ser **bem cozidos, batidos ou amassados e misturados com manteiga ou creme de leite**. A fruta crua contém pectina, muito pesada para o sistema digestivo imaturo. A exceção é a banana madura, um ótimo alimento para o começo e uma boa fonte de vitamina B6. Amasse algumas rodelas de banana com um pouco de creme de leite e uma pitada de sal: o bebê vai adorar!

Já os alimentos difíceis de digerir, como **grãos, clara de ovo e frutas e legumes crus, devem esperar até o bebê ter pelo menos um ano**. De novo, introduza aos poucos e observe reações alérgicas.

- **Ovo inteiro:** comece com ovos mexidos, feitos com gemas extras e creme de leite.

- **Grãos:** devem ficar de molho de um dia para o outro em meio ácido (água com um pouco de suco de limão, vinagre, [iogurte](https://nuecru.com.br/receitas/iogurte-natural), kefir ou soro de leite) e depois ser bem cozidos, como mostra o artigo [Mingau de aveia: como deixar mais nutritivo](https://nuecru.com.br/blog/aveia-de-molho).

- **Pão:** a criança pequena pode comer pão, desde que seja um genuíno [pão de fermentação natural](https://nuecru.com.br/blog/pao-de-fermentacao-natural), com uma boa camada de manteiga, é claro.

### Acima de tudo, gordura animal

Lembre-se de que, acima de tudo, **os bebês precisam de gorduras animais**. Elas são fundamentais para o crescimento, a produção de hormônios e praticamente todas as funções do corpo, até nas mitocôndrias. As gorduras animais fornecem colesterol para o desenvolvimento neurológico, [ácido araquidônico](https://pt.wikipedia.org/wiki/Ácido_araquidônico) para a saúde da pele, do cérebro e da digestão, e as vitaminas lipossolúveis necessárias para quase tudo, inclusive a assimilação do ferro e a produção de hormônios.

E lembre-se, acima de tudo, de que **quem está no controle é você**, especialmente nesse primeiro ano crucial. Na verdade, é a única fase da vida em que você terá controle total sobre o que o bebê come. É quando se formam os hábitos e os gostos, e quando se traça o caminho do crescimento e do desenvolvimento ideais.

Quando o bebê virar criança e depois adulto, você não terá mais esse controle. Mas o bom começo que você der nos primeiros anos, sobretudo no primeiro, vai protegê-lo contra os inevitáveis excessos de comida industrializada que virão quando ele ganhar o mundo.

## Suplementos para bebês: vale a pena?

Os bebês devem tomar suplementos? A AAP diz que sim e recomenda ferro e vitamina D extras, num reconhecimento tácito, segundo a autora, de que a dieta infantil que a própria academia promove não tem esses nutrientes.

Para a fundação, porém, **o ferro em suplemento deve ser evitado a todo custo** no bebê. O ferro inorgânico dos suplementos pode aumentar a suscetibilidade a doenças infecciosas e favorecer doenças inflamatórias crônicas como diabetes, obesidade, síndrome metabólica, aterosclerose, neurodegeneração, doenças do fígado e até câncer, como explica o artigo [Toxic Iron and Ferroxidase, the Master Antioxidant](https://www.westonaprice.org/health-topics/abcs-of-nutrition/toxic-iron-and-ferroxidase-the-master-antioxidant/). Os bebês precisam, sim, de ferro, mas só dos alimentos ricos em ferro que trazem também os cofatores importantes (cobre e vitamina A), como o fígado e a gema.

Da mesma forma, segundo a autora, os suplementos de vitamina D podem causar o acúmulo de cálcio nos tecidos moles, onde ele não deveria estar. O bebê precisa da vitamina D de alimentos como o óleo de fígado de bacalhau, a manteiga e a gema, que também fornecem vitamina A.

Cuidado com as vitaminas mastigáveis infantis, que levam adoçantes refinados (açúcar, frutose, maltodextrina e sorbitol), além de corantes, aromatizantes e cargas. As "vitaminas" que elas contêm são todas sintéticas e dificilmente fazem algum bem ao bebê. Em vez disso, ele será muito bem nutrido com alimentos de verdade e densos em nutrientes: **fígado, gema, manteiga, óleo de fígado de bacalhau, sal não refinado, laticínios crus e carnes de animais criados a pasto**. Com isso na dieta, não vai faltar nenhum nutriente essencial.

## Mais um motivo para fazer a papinha em casa

Em fevereiro de 2021, um relatório de um subcomitê do Congresso americano virou manchete ao revelar que **95% das papinhas testadas continham metais pesados tóxicos**, capazes de reduzir o QI. Segundo o relatório, intitulado [Baby Foods Are Tainted with Dangerous Levels of Arsenic, Lead, Cadmium, and Mercury](https://oversightdemocrats.house.gov/imo/media/doc/2021-02-04%20ECP%20Baby%20Food%20Staff%20Report.pdf), tanto as papinhas convencionais quanto as orgânicas apresentavam níveis altos desses metais, e nenhum produto trazia advertência para os pais.

Os autores do relatório apontaram as implicações preocupantes: a exposição a metais pesados tóxicos causa redução permanente do QI, menor produtividade econômica futura e maior risco de comportamento criminoso e antissocial nas crianças, e põe em risco o desenvolvimento neurológico do bebê e o funcionamento do cérebro a longo prazo.

Quatro empresas (Nurture, dona da marca HappyBABY, Beech-Nut, Hain, dona da Earth's Best Organic, e Gerber) atenderam ao pedido de documentos internos e resultados de testes. Arsênio, chumbo e cádmio foram encontrados nas papinhas das quatro, e níveis altos de mercúrio apareceram nos produtos da Nurture, a única que testava mercúrio. Para os quatro metais, os resultados eram "múltiplas vezes acima do permitido pelas normas existentes para outros produtos". Três empresas (Campbell, dona da Plum Organics, Walmart, dona da Parent's Choice, e Sprout Organic Foods) se recusaram a colaborar, e os autores do relatório especularam que essa falta de cooperação poderia esconder níveis ainda mais altos de metais pesados.

## Leia também

### Na Nu&Cru

- [Primeiros alimentos do bebê: o que oferecer](https://nuecru.com.br/blog/primeiros-alimentos-do-bebe)

- [Bebê na mesa da família: como começar](https://nuecru.com.br/blog/bebe-na-mesa-da-familia), outro olhar da fundação sobre a comida da mesa para o bebê

- [Masterclass de introdução alimentar](https://nuecru.com.br/introducao/masterclass)

- Receitas para o desmame: [caldo de frango](https://nuecru.com.br/receitas/caldo-de-frango) e [kefir de leite](https://nuecru.com.br/receitas/kefir-de-leite)

### Na Weston A. Price Foundation (em inglês)

- [Nourishing a Growing Baby](https://www.westonaprice.org/health-topics/nourishing-a-growing-baby-2/)

- [Homemade Baby Formula](https://www.westonaprice.org/health-topics/childrens-health/formula-homemade-baby-formula/)

- [The Scandal of Infant Formula](https://www.westonaprice.org/health-topics/childrens-health/the-scandal-of-infant-formula/)

## Referências

- Lozoff B. [Birth and 'bonding' in non-industrial societies](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6354797/). Dev Med Child Neurol. 1983;25(5):595-600.

- Sellen DW. [Comparison of infant feeding patterns reported for nonindustrial populations with current recommendations](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11584094/). J Nutr. 2001;131(10):2707-2715.

- Dewey KG, Finley DA, Lönnerdal B. [Breast milk volume and composition during late lactation (7-20 months)](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6502372/). J Pediatr Gastroenterol Nutr. 1984;3(5):713-720.

- Simmer K, Ahmed S, Carlsson L, Thompson RP. [Breast milk zinc and copper concentrations in Bangladesh](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/2317480/). Br J Nutr. 1990;63(1):91-96.

- Anderson J, Malley K, Snell R. [Is 6 months still the best for exclusive breastfeeding and introduction of solids? A literature review with consideration to the risk of the development of allergies](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19685855/). Breastfeed Rev. 2009;17(2):23-31.

- American Academy of Pediatrics. Infant food and feeding. Consultado em 21 de janeiro de 2021.

- Johnson D. First AAP recommendations on iron supplementation include directive on universal screening. AAP News, outubro de 2010.

- Ward EM. **MyPlate for Moms, How to Feed Yourself & Your Family Better: Decoding the Dietary Guidelines for Your Real Life**. Loughlin Press, 2011.

- Altmann T. **What to Feed Your Baby: A Pediatrician's Guide to the 11 Essential Foods to Guarantee Veggie-Loving, No-Fuss, Healthy-Eating Kids**. HarperOne, 2016.

- Rapley G, Murkett T. **Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods and Helping Your Baby to Grow Up a Happy and Confident Eater**. The Experiment, 2010.

- Davis CM. [Results of the self-selection of diets by young children](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20321464/). Can Med Assoc J. 1939;41(3):257-261.

- Wilson B. [Are we born craving a balanced diet?](https://www.discovermagazine.com/are-we-born-craving-a-balanced-diet-3123) Discover, 20 de janeiro de 2016.

- Edwards B. [Toxic iron and ferroxidase, the master antioxidant](https://www.westonaprice.org/health-topics/abcs-of-nutrition/toxic-iron-and-ferroxidase-the-master-antioxidant/). Wise Traditions. 2020;21(3):17-25.

- Subcommittee on Economic and Consumer Policy. [Baby Foods Are Tainted with Dangerous Levels of Arsenic, Lead, Cadmium, and Mercury](https://oversightdemocrats.house.gov/imo/media/doc/2021-02-04%20ECP%20Baby%20Food%20Staff%20Report.pdf). Committee on Oversight and Reform, U.S. House of Representatives, 4 de fevereiro de 2021.

Este artigo é uma adaptação de "Bringing Up Baby: When to Wean... and How", de Sally Fallon Morell, publicado na revista Wise Traditions in Food, Farming and the Healing Arts, da Weston A. Price Foundation, na primavera de 2021. [Leia o original em inglês](https://www.westonaprice.org/health-topics/bringing-up-baby-when-to-weanand-how/).

As informações têm caráter educativo e não substituem avaliação individual de profissional de saúde habilitado.

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